Cientistas propõem um robô por aluno

Primeiro foi a campanha "um computador para cada criança". Agora começam surgir as propostas para tentar emplacar "um robô para cada estudante".
Robô Cooperativo
"Eu defendo um currículo onde cada estudante tenha seu próprio robô e possa estudar lições individuais e também trabalhar em equipe, usando seus robôs coletivamente em sistemas multi-robóticos," propõe James McLurkin, da Universidade Rice, nos Estados Unidos.
McLurkin virou estrela em 2003, ao ganhar o "oscar dos inventores" por unir biologia e robótica, programando pequenos robôs para que eles desempenhassem tarefas similares às das abelhas e das formigas.
Agora, já professor, ele apresentou seu primeiro grande projeto, uma plataforma robótica de baixo custo chamada R-One.
Apaixonado por insetos e robôs, ele desenvolveu o R-One para atuar tanto como "indivíduo" quanto como um membro de uma "sociedade cooperativa de robôs".
E ele não leva a coisa na brincadeira: "Enxames de robôs trabalham coletivamente, como uma colônia de formigas ou abelhas, e podem fazer algumas tarefas melhor do que os humanos".
Segundo ele, um exército de 1.000 pequenos robôs poderia lidar com grandes vazamentos de petróleo no mar ou encontrar sobreviventes em grandes áreas afetadas por desastres naturais.
Seu primeiro protótipo de robô cooperativo custou US$2.000,00, caro demais para ser adotado em larga escala.
Agora, o R-One custa US$200,00 - o nível que McLurkin acredita ser razoável para viabilizar uma adoção em massa dos robôs nas escolas.
Ele está criando uma empresa e planeja colocar o R-One à venda, na forma de kit, em 2012.
Cientistas propõem um robô por aluno
Mesmo sem as capacidades cooperativas do R-One, o pequeno robô tem mais do que o suficiente para manter estudantes ocupados por um bom tempo. [Imagem: CMU]
Robô passarinho
Tom Lauwers e seus colegas da Universidade Carnegie Mellon estão mais adiantados em termos de mercado.
Seu pequeno robô Finch (passarinho) já está à venda, por US$99,00 cada um.
O Finch inclui sensores de temperatura e de luminosidade, um acelerômetro de três eixos, sensor de colisão, LEDs coloridos programáveis, câmera, microfone e alto-falantes.
Mesmo sem as capacidades cooperativas do R-One, o pequeno robô tem mais do que o suficiente para manter estudantes ocupados por um bom tempo.
"Nossa visão é tornar o Finch acessível o suficiente para que cada aluno possa ter um para fazer suas lições de casa," afirma o pesquisador Lauwers.
Mas o foco de Lauwers é mais a programação de computadores do que a robótica propriamente dita.
A ideia é usar o robô para tornar as aulas de programação mais interessantes, sem que os alunos precisem construir o robô, podendo se concentrar em fazer com que ele desempenhe tarefas úteis ou interessantes.
"Se o Finch puder ajudar a motivar os alunos para prestar atenção à ciência da computação, acreditamos que muitos mais jovens vão perceber que este é um campo muito divertido de se explorar," conclui o pesquisador.[Fonte: Inovação Tecnológica]

BID: escolas da América Latina e do Caribe têm infraestrutura precária

A infraestrutura e o acesso a serviços básicos de eletricidade, água, esgoto e telefone são "altamente deficientes" nas escolas da América Latina e do Caribe. Em 40% das escolas públicas e privadas, não há biblioteca, 88% não têm laboratório de ciências, 65% não contam com salas de informática e 35% não oferecem espaço para prática esportiva. Os dados constam do relatório Infraestrutura Escolar e Aprendizagem da Educação Básica Latino-Americana, lançado nesta terça-feira pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O estudo leva em consideração informações sobre 16 países, incluindo o Brasil. Uma das conclusões é que há grande disparidade entre a infraestrutura disponível nas escolas particulares em relação à rede pública e ainda entre as que se localizam nas cidades em comparação às do campo.
A condição dos estabelecimentos de ensino que atendem à quinta parte mais pobre é ainda mais grave. Segundo o relatório, só a metade deles tem acesso à água potável e eletricidade, apenas 4% têm acesso à linha telefônica, mais da metade não têm biblioteca e quase nenhum tem laboratório de ciências, ginásio de esportes ou sala de computação. "Essas deficiências minimizam o potencial da escola em mitigar ou compensar as iniquidades que as crianças trazem de casa, já que muitas dessas carências estão replicadas nos lares dos estudantes", aponta.
A comparação entre os países mostra que aqueles localizados na América Central apresentam os maiores déficits nos parâmetros medidos, seguidos pelo Paraguai e Equador, na América do Sul. Na outra ponta, estão os países do Conesul (Chile, Argentina e Uruguai), que contam com a melhor infraestrutura física. O Brasil, assim como o México e a Colômbia, ocupa posição intermediária entre as variáveis analisadas. O estudo destaca que, no Brasil, menos de 10% das escolas têm laboratórios de ciências, situação que se repete em El Salvador, na Nicarágua e Costa Rica.
O estudo também relaciona a infraestrutura das escolas com o desempenho dos alunos a partir do Segundo Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Serce), espécie de teste que foi aplicado a quase 200 mil alunos de três mil escolas da região. A principal conclusão é que aqueles que estudam em unidades mais bem equipadas têm um melhor aprendizado.
Um dos fatores que está mais "consistente e positivamente" relacionado com a pontuação dos alunos no Serce, segundo o relatório, é a presença de áreas de estudo como laboratórios de ciências, biblioteca e sala de computação na estrutura escolar. O relatório estima que haverá uma variação de cerca de 20 pontos na nota de um aluno de uma escola que conte com todos esses recursos em comparação à outra que não tenha nenhum desses insumos. [Fonte: Terra]

Dia dos Professores: carreira perde interessados ano a ano

"Não tenho filhos, mas se tivesse faria de tudo para não deixar que se tornassem professores. É o que farei com meus sobrinhos". Desta forma o educador Oscar Eduardo Magnusson resume o sentimento que acompanha os profissionais da categoria. Com salários desvalorizados, carga horária intensa em sala de aula e trabalho constante em casa, os professores estão cansados.
Resultado: cada vez menos gente procura uma formação na área. O panorama é desalentador e não há perspectiva de melhora em um curto espaço de tempo. Contudo, alguns especialistas analisam a situação por outro ângulo. Com a baixa procura pela profissão, a demanda por docentes seguirá alta. Uma perspectiva positiva em um horizonte obscuro.

O desânimo dos profissionais da Educação, cujo rendimento médio 
mensal é o pior no País, segundo o relatório Professores do Brasil: Impasses e Desafios (realizado pela Unesco e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2009), se reflete em uma procura cada vez menor por cursos de Pedagogia ou licenciaturas. O último Censo da Educação Superior, divulgado no ano passado, mostra que apenas a metade das vagas são preenchidas nas faculdades de Pedagogia. Consequentemente, a quantidade de formados vem caindo. Em 2005, cerca de 103 mil alunos concluíram o curso. Em 2009, esse número caiu para 52 mil. Nas licenciaturas, o cenário se repete: 77 mil formados em 2005, e 64 mil quatro anos depois.
Segundo o pedagogo Hamilton Werneck, nos últimos quatro anos foram fechados 200 cursos de Pedagogia no Brasil. "Soube recentemente que, no Maranhão, um professor deixou a função e foi ser bombeiro, cujo salário inicial é de R$ 2,5 mil. Prestará um inestimável serviço àquele Estado, no entanto, a Educação, por salários reduzidos, perdeu um profissional. A nova geração não quer mais ser professor", afirma.
Trabalhando em quatro escolas diferentes, o professor de Português da rede pública e particular de Indaiatuba (SP) Oscar Eduardo Magnusson, citado no começo da matéria, já está cansado. "Depois de 20 anos lecionando, me arrependi de ter escolhido esta profissão. Não melhora nunca", desabafa.
Futuro promissor?
Se a procura pelos cursos está baixa, a demanda por educadores deve ser alta. Para Tânia Cristina Arantes Macedo de Azevedo, diretora acadêmica da Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista (Vunesp), o futuro acabará sendo promissor para aqueles que optarem pela carreira. "A perspectiva profissional do pedagogo é promissora, principalmente pela quantidade de concursos públicos abertos regularmente para a área da educação", diz, complementando que acredita em uma melhora na oferta do setor público para atrair os profissionais.
Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o curso de Pedagogia teve 1.626 inscritos no exame de 2011, o que representa apenas 3,8 candidatos por vaga. Enquanto isso, na página da Vunesp, entre os concursos em andamento para a área da educação, há opções para prefeituras como as de Guaíra, São Bernardo do Campo, São Carlos e São José do Rio Preto, além da seleção para executivo público do Governo do Estado. "A demanda por professores é cada vez maior. Basta ver o número de escolas avaliadas pelo Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), 8.736. O País só vai avançar por meio da educação", fala Tânia.
Werneck concorda. "A carreira de pedagogia é promissora, pois o mercado deve precisar cada vez mais de profissionais. No entanto, o que é oferecido ainda não é atrativo", afirma. Para o especialista em Educação, mesmo que o mercado sofra com a falta de profissionais, as ofertas de trabalho não deverão ser melhores. "Ou o Brasil faz uma grande revolução na Educação, que envolva currículos, programas, metodologias, salário e preocupação com o real aprendizado dos alunos, ou o salto econômico e social ficará prejudicado", sentencia.[Fonte: Terra]


Com a recente ratificação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da Lei 11.738/2008, que institui o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, os governos precisam cumprir com o pagamento mínimo de R$ 1.187 para professores que têm uma jornada de 40 horas semanais. O Terra levantou com as secretarias de Educação os valores pagos em cada Estado e no Distrito Federal e, nos seis que ainda não pagam o piso, questionou o que pretendem fazer para se enquadrar à legislação. Confira quanto ganham os professores estaduais no País.



Veja como disciplinas se relacionam nas questões do Enem

Na reta final para o Enem - que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro deste ano - é fundamental que os candidatos saibam claramente como são cobrados os conceitos de cada disciplina. Entre as principais características do exame, que se difere dos vestibulares por exigir menos "decoreba", está a divisão das provas por quatro áreas do conhecimento e a relação que grande parte dos enunciados faz entre os conteúdos básicos do ensino médio e aspectos da sociedade.
Para quem se prepara para o exame, o Terra montou um raio-x com uma pergunta de cada área da prova, a partir de questões já utilizadas na avaliação e outras questões-modelo divulgadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em 2009. Veja o que espera os candidatos nas provas do Enem.[Fonte: Terra]

Inep cria página para tirar dúvidas de candidatos antes do Enem

 
O Enem deste ano será realizado nos dias 22 e 23 de outubro                                                                                                   Foto: Reprodução
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) lançou nesta quarta-feira uma página em seu site (www.enem.inep.gov.br) onde os inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem tirar dúvidas e conferir locais de prova. Na página o candidato o candidato saberá quais documentos serão aceitos para a realização do exame, os objetos que deve levar e aqueles que não serão permitidos.
O site traz ainda acesso ao endereço onde o inscrito pode conferir o município no qual fará a prova e imprimir o cartão de confirmação de inscrição. O candidato pode ainda assistir a um vídeo de três minutos com as principais orientações sobre o processo.
O Enem será realizado em 1.599 municípios de todo o Brasil. Farão as provas 5.366.780 pessoas, em 22 e 23 de outubro. O Inep recomenda que os estudantes cheguem até meio-dia ao local de prova. Os portões de acesso serão fechados pontualmente às 13h (horário de Brasília).[Fonte: Terra]

Dicas de Softwares para Elaboração de Mapas Conceituais

Segue abaixo uma lista de softwares que podem ser utilizados para elaboração de Mapas Conceituais:

CmapTools 5.04 - http://cmaptools.softonic.com.br/
Freeplane 1.1.3 - http://freeplane.softonic.com.br/
XMind Portable 3.2.1 - http://xmind-portable.softonic.com.br/
BizAgi Process Modeler 1.6 - http://bizagi-process-modeler.softonic.com.br/
iMindMap 4.1.2 - http://imindmap.softonic.com.br/
XMind 3.2.1 - http://xmind.softonic.com.br/
Flo 1.1 - http://flo.softonic.com.br/
PersonalBrain 6.0.6.1 - http://personalbrain.softonic.com.br/
Mindomo 5.22 - http://mindomo.softonic.com.br/

Pesquisa: corrente elétrica no cérebro acelera aprendizado


Estimular eletricamente o cérebro pode ajudar a aumentar a velocidade do aprendizado, segundo especialistas britânicos. Eles dizem que aplicar uma corrente elétrica de baixa intensidade em uma parte específica do cérebro pode aumentar sua atividade, tornando o aprendizado mais fácil.
Os pesquisadores, da University of Oxford, na Inglatarra, estudaram cérebros de pacientes que sofreram derrames e de adultos saudáveis. Os resultados da pesquisa foram apresentados durante o British Science Festival, na cidade inglesa de Bradford.
A equipe, liderada pela professora Heidi Johansen-Berg, usou uma tecnologia conhecida como ressonância magnética funcional para monitorar a atividade nos cérebros de pacientes que sofreram derrames enquanto tentavam recuperar sua capacidade motora, perdida como resultado da doença.
Uma das principais revelações do estudo foi a de que o cérebro é muito flexível e pode se reestruturar, desenvolvendo novas conexões e alocando tarefas para áreas diferentes quando ocorre algum problema ou quando uma tarefa nova é realizada.
Como parte do estudo, os especialistas também investigaram a possibilidade de usar estimulação elétrica não invasiva do cérebro para melhorar o processo de recuperação da capacidade motora. Melhorias a curto prazo já haviam sido constatadas em pacientes que tinham sofrido derrames. Mas um resultado inesperado foi verificado quando os mesmos estímulos foram feitos nos cérebros de adultos saudáveis: a velocidade de aprendizado desses indivíduos também aumentou consideravelmente.

Aumento de atividade
Para observar esse efeito, a equipe criou um experimento em que voluntários memorizavam uma sequência de botões para apertar, "como se aprendessem a tocar uma melodia no piano". Enquanto faziam isso, recebiam, por meio de dois eletrodos colocados em pontos específicos de suas cabeças, estímulos por corrente transcraniana.
Uma corrente de intensidade muito pequena foi passada entre os eletrodos formando um arco que passava dentro do cérebro e, dependendo da direção da corrente, ela aumentava ou diminuía a atividade naquela parte do cérebro. Johansen-Berg explicou que "um aumento na atividade das células do cérebro as torna mais suscetíveis ao tipo de mudança que ocorre durante o aprendizado".
O s resultados do experimento que envolvia apertar os botões em sequência demonstraram os efeitos positivos, em termos do aprendizado, de apenas dez minutos de estímulos ao cérebro, em comparação a um experimento "placebo" no qual não houve estímulo elétrico. "Os estímulos não melhoraram o desempenho máximo do participante, mas a velocidade com a qual ele alcançava seu ponto de desempenho máximo foi aumentada significativamente", disse Johansen-Berg.
Direcionar o estímulo à área do cérebro que controla a atividade motora permite que tarefas envolvendo movimentos sejam aprendidas mais rápido, e os pesquisadores acreditam que a técnica possa ser usada para auxiliar o treinamento de atletas. Os experimentos demonstram explicitamente que estimular o córtex motor do cérebro pode aumentar a velocidade do aprendizado de funções motoras.
Os pesquisadores dizem ter esperanças de que o mesmo método possa ser aplicado a outras partes do cérebro para melhorar o aprendizado na educação, simplesmente posicionando-se os eletrodos em locais diferentes de forma que a corrente possa ser direcionada à área correta. Em função da relativa simplicidade, baixo custo (cerca de US$ 3 mil por unidade) e portabilidade da tecnologia, a equipe acha possível que - após mais pesquisas - aparelhos sejam criados especificamente para uso em casa.
No futuro, Johansen-Berg e sua equipe pretendem investigar as possibilidades de se aumentar o efeito da técnica por meio de estímulos diários durante períodos de algumas semanas ou meses. No tratamento de pacientes que sofreram derrames, a técnica poderia ser usada em associação com tratamentos atuais de fisioterapia para melhorar o quadro geral da recuperação dos pacientes, que tende a variar bastante. [Fonte: Terra]

Escolas experimentais: aluno decide o que e como quer aprender


Na Escola Livre Experimental de Piracanga (BA) os alunos escolhem o que querem aprender - Foto: Divulgação
Quando o sol nasce na pequena área de Piracanga (BA), localizada a 60 km de Ilhéus, as crianças da comunidade já começam a se preparar para mais um dia de aula na Escola Livre Experimental. Em uma casa de madeira, com telhado de bambu, envolta pela natureza e banhada pelo Rio Paracanga, elas se acomodam para o começo das atividades. Contudo, isso só ocorre quando os alunos desejarem.
Nesse tipo de escola, o estudante diz quando se sente preparado para estudar, é quem escolhe as oficinas de que vai participar e o dia em que está apto para avançar de nível. A proposta é que os alunos aprendam por sua genuína vontade. São os princípios básicos do que se chama de escola experimental.
Segundo a pedagoga Patrícia Fonte, autora do livro A Paixão de Educar e o Desafio de Inovar e diretora da Projetos Pedagógicos Dinâmicos, esse conceito abriga todas as instituições educacionais que não seguem o método tradicional de ensino, no qual o professor explica, o aluno escuta e todas as classes são voltadas para o quadro negro.
Porém, ainda são poucos os colégios que adotam métodos pedagógicos alternativos no Brasil. E foi por isso que Patrícia matriculou a filha em uma instituição tradicional. "Foi por falta de opção. Acredito muito nas escolas experimentais, pois existe um dinamismo que motiva a criança a buscar o próprio aprendizado, o que passa a ser mais significativo para elas", afirma.
Para a pedagoga, no sistema tradicional os alunos viram meros transmissores de conhecimentos decorados, voltados somente para o vestibular. "Eles não são ensinados a refletir, argumentar", queixa-se. Mestre em Educação da Criança, José Pacheco concorda: "a escola dita tradicional mantém-se conivente com o estímulo da competitividade, fomenta o imediatismo e a frivolidade", diz.
Na Escola Livre Experimental de Piracanga não tem sala de aula. No lugar, há vários espaços criativos e de estudo. Lá, as crianças são separadas em grupos de, no máximo, 15 alunos, classificados de acordo com a idade. Cada grupo tem seu espaço, mas também existem muitas áreas em comum: como a oca para as meditações, a cozinha, a marcenaria e a oficina de artesanato. "O que caracteriza essas escolas é o ecletismo. Mas todas tratam de 'acabar com a sala de aula' e incentivar a descoberta do aprendizado", reforça Pacheco.
Durante o dia, as crianças e os jovens, que são aceitos a partir dos três e até os 18 anos de idade, têm a possibilidade de escolher diferentes atividades. Em uma sala, por exemplo, fica uma tutora lendo histórias. Em outra, uma professora ensina pintura. Cabe a cada criança escolher o que mais a atrai. Segundo a direção, as crianças aprenderão a optar e a viver as consequências e os deveres de cada escolha que fizerem.
Todos os dias são oferecidas atividades como ensino de idioma (inglês, francês, espanhol), natação, aulas de massagem, meditação, dança, jogos de integração do grupo, passeios, teatro e cinema. Cada aluno deve optar por uma dessas programações, que depois de cumprida, deve ser substituída por outra.
Considerando as distintas etapas de desenvolvimento, as crianças recebem dos adultos ajuda em áreas como matemática, geografia, história, língua portuguesa, sociologia, física, biologia e química. Ou seja, independentemente das escolhas do estudante, essas disciplinas são inseridas de forma indireta dentro do dia a dia escolar. Ao trabalhar com uma oficina de teatro, por exemplo, alguns conteúdos de história são trabalhados. E ao realizar oficinas de culinária, o aluno também terá aulas de matemática.
O método não-diretivo de ensino propõe que as crianças decidam aprender por interesse próprio e não por serem obrigadas. Elas acabam sendo expostas aos mesmos conteúdos que uma escola tradicional, mas de forma lúdica e no tempo de cada uma delas. Para a pedagoga Patrícia, pelo fato de os alunos estudarem por espontânea vontade, o ensinamento é mais atrativo e os conteúdos acabam mais fortemente fixados.
Adaptação
Mas permitir que o aluno aprenda quando quiser também pode representar um risco. Ana, nome fictício de uma mãe que preferiu não se identificar, matriculou os dois filhos, um de 7 e outro de 4 anos, em uma escola experimental de São Paulo (SP). Segundo ela, o mais novo se adaptou bem. "Ele é curioso e desinibido. Já está conseguindo ler com quatro anos", conta.
Porém, o filho mais velho está cada vez mais deprimido e sem vontade de ir para a aula. "Todo dia ele chora e me pede para ficar em casa", diz. Ana descobriu que a turma do filho está em fase de alfabetização, mas que, por acreditar em uma linha pedagógica construtivista, o colégio incentiva que cada um aprenda no seu tempo.
Para a mãe, quando a professora pede que cada aluno escreva a palavra flor, por exemplo, da forma como acha que está correto, o filho se sente pressionado, pois quer acertar. "Ele sempre foi muito perfeccionista. Desde pequeno se exige muito, então, fica nervoso. Se pedem para escrever flor, ele quer escrever do jeito certo. Tem pavor de errar", relata.
Para Pacheco, tudo é uma questão de adaptação. Já a pedagoga Patrícia alerta para a necessidade de os pais estarem atentos. "É experimental. Para algumas crianças funciona, para outras não. Cabe aos pais observar seus filhos e detectar isso", diz. Foi assim com Ana. "Percebi que, para a personalidade do mais velho, o melhor é a escola tradicional", diz a mãe, que contratou um professor particular para o filho até o início do ano que vem, quando pretende levá-lo para outro colégio.
O processo de troca, aliás, também precisa ser observado. A escola do filho de Ana, por exemplo, tem séries definidas. Porém, em alguns colégios experimentais não existe o conceito de série. Nesses casos, se a criança for para uma escola tradicional, geralmente passa por um teste de nivelamento antes de ser admitida na nova instituição.
Tempo determinado
O caráter de experimentação dessas escolas tem por objetivo testar alternativas pedagógicas. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é permitida a organização de colégios experimentais, com currículo e métodos próprios, mas por tempo determinado. Durante este tempo, é obrigatório que a instituição de ensino contenha a palavra Experimental no seu nome.
Depois do tempo determinado, definido judicialmente, o Conselho Estadual de Educação em questão avalia o funcionamento escolar, sua validade legal, o rendimento dos alunos, entre outros critérios. Se aprovada, a instituição deixa de ser experimental e se torna uma escola regular, mas com método pedagógico diferenciado.[Fonte: Terra]

Mil posições separam escola federal de estadual na lista do Enem


O Colégio de Aplicação da Universidade de Viçosa (Coluni) ficou em primeiro lugar entre as escolas públicas no Enem
Foto: Coluni/Divulgação


O abismo que separa a Escola Estadual Dom Aquino Corrêa, na cidade de Amambai (MS), e o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (Coluni), em Minas Gerais, não está apenas na lista das melhores escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010. Enquanto o colégio federal mineiro ficou no 8º lugar entre todas as escolas - primeiro entre as públicas - a instituição de Mato Grosso do Sul aparece mil posições depois, mas como primeira colocada entre as escolas estaduais de ingresso regular. Para o doutor em educação e professor da Universidade de Brasília (UnB), Célio da Cunha, a principal diferença entre as duas está no investimento.
"Não fico surpreso com essa diferença. Se pegarmos a história da educação brasileira desde os primórdios veremos que sempre estiveram à frente as instituições que o governo federal patrocinou. Isso acontece porque os investimentos federais são bem maiores", afirma o professor da UnB. Segundo ele, se o mesmo recurso disponibilizado para as escolas federais fosse aplicado pelos Estados e municípios na educação básica, a realidade seria outra.
No balanço divulgado ontem, além do Coluni, apenas 12 instituições públicas aparecem na relação das 100 melhores. Todas elas têm modelo de organização diferenciado e boa parte está vinculada às universidades públicas. Ainda fazem parte do grupo os colégios militares, os institutos federais de educação profissional e as escolas técnicas estaduais. Na lista geral, a primeira escola estadual com oferta regular de vagas é o colégio de Mato Grosso do Sul, na posição 1.008.
Feliz com o fato de a escola do interior ser a primeira entre as estaduais, a diretora do colégio Dom Aquino, Vilma Oliveira da Cruz, diz que os professores se empenham para estimular nos alunos os hábitos de leitura, fundamentais para um bom desempenho no Enem. "Nossa estrutura é muito ruim, a biblioteca é muito pequena, mas os professores levam os livros para a sala de aula e estimulam à leitura", afirma. Ela também diz que a disciplina e o comprometimento dos estudantes é um diferencial da instituição.
Com 615 alunos, no ano passado a escola formou a primeira turma de ensino médio, que atingiu a média de 635,51 pontos no Enem e teve participação de 100% dos estudantes na prova. Segundo a diretora, apesar de todas as dificuldades que a escola enfrenta, dos 25 estudantes, 24 passaram no vestibular. Entre os problemas está a falta de professores pra atender as turmas. "Agora estamos com a grade de docentes completa, mas todo o ano temos que enfrentar isso. As pessoas não querem vir de fora para ganhar pouco. Também temos muita rotatividade, eles ficam um ano na escola e vão embora", afirma.
Os maiores problemas são nas disciplinas de geografia e matemática. O salário inicial, de cerca de R$ 1,3 mil no Estado, não é atrativo para quem precisa sair de outras regiões para trabalhar em uma cidade que fica a mais de 400 km da capital. De acordo com a diretora, a falta de estrutura também é outro empecilho para o ensino. "Não temos prédio próprio, há 50 anos a nossa escola funciona em espaços cedidos. Agora estamos ocupando um lugar no prédio da Universidade Estadual, mas é muito pequeno", critica a diretora. Segundo ela, não há sala de informática, laboratório de ciências, quadra de esportes e nem refeitório. "Os alunos comem com o prato na mão", completa.
Realidades diferentes
Enquanto na escola estadual os alunos contam com uma estrutura mínima para as aulas, no colégio da Universidade de Viçosa, que atingiu média de 726.42 pontos no Enem, os estudantes têm a sua disposição cinco laboratórios de ciências, bibliotecas, computadores em todas as salas de aula e toda a infraestrutura de uma universidade. Os professores possuem dedicação exclusiva, dão aulas em um turno e no outro ficam disponíveis para pesquisas, tirar dúvidas e preparar as atividades.
O salário de um educador, segundo o sindicato nacional dos professores, varia de R$ 2,2 mil a R$ 3,6 mil em nível inicial. De acordo com o diretor Hélio Paulo Pereira Filho, o quadro da escola é composto, em sua maioria, de mestres e doutores. "Temos uma exigência muito grande, nossos professores, assim como o corpo técnico, são altamente qualificados", afirma.
A escola também não enfrenta dificuldades financeiras. Os recursos são suficientes para atender os 480 alunos e toda a estrutura necessária. "Nós também somos uma extensão da universidade, e isso facilita muito", explica o diretor. Ele concorda que, quanto mais recursos, mais fácil fica para gerir uma educação de qualidade. "Eu sempre digo: se a presidente Dilma quer mudar a história do ensino no Brasil, que invista nas escolas de aplicação das universidades".
Vagas
Na escola estadual de Mato Grosso do Sul, qualquer aluno pode se inscrever para uma vaga. "Recebemos todos, dos alunos mais humildes aos mais ricos", afirma o diretora. Já na escola federal de Minas Gerais, para concorrer a uma das 150 vagas oferecidas anualmente, os alunos precisam passar por uma prova, com uma média de dez candidatos por vaga.
"Fazemos esse exame para selecionar os estudantes com o perfil mais adequado", diz Hélio Paulo Pereira Filho. Segundo ele, isso não quer dizer que o ingresso é restrito para os estudantes que têm mais condições de se preparar. "Pelo menos 50% dos nossos alunos vieram de escolas públicas", diz.
Futuro
De acordo com o professor da UnB, o sucesso das escolas federais mostra que o investimento precisa aumentar no País. "Nos últimos anos, as escolas públicas estão acolhendo um grande contingente de pessoas, que antes não tinham oportunidade de estudar. Mas para que isso resulte em qualidade do ensino, é preciso que o recurso também aumente. É só pegar o exemplo dos colégio de aplicação, quando se investe dá certo", diz Célio da Cunha.
O doutor em educação defende a ampliação dos recursos disponibilizados pelo governo federal. "Se com o Plano Nacional de Educação (PNE) conseguirmos avançar para 7% do PIB de investimento na área, já poderemos dar um salto em qualidade. Mas o ideal é avançar mais, porque precisamos recuperar o atraso histórico da nossa educação", completa. [fonte: terra]