Dúvida sobre carreira contribui para ingresso tardio na universidade


Sair do ensino médio com 17 anos pode ser cedo para decidir sobre seu futuro. Por isso, muitos jovens adiam a entrada na faculdade. Para Monique Cunha de Araújo, a escolha da profissão ainda não era clara quando deixou o terceiro ano, em Niterói. Apesar de o colégio ser voltado para o vestibular, Monique não compartilhava dos planos de seus colegas que se preocupavam com os preparativos para os processos seletivos das universidades. "Eu queria fazer algo que eu gostasse. Essa era a minha linha de pensamento, eu não queria estresse. Então decidi ir trabalhando, pensando e amadurecendo", conta.
A atitude de Monique ainda é rara entre os adolescentes recém-formados no colégio, diz a coordenadora de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo, Silvana Letorace. Mas ela afirma que casos como o de Monique vêm crescendo. Silvana relata que as situações mais comuns são de alunos que vão estudar um período no exterior antes de entrar na faculdade, algo que acontece muito em países europeus. Porém, faz uma ressalva sobre a importância de regressar ao Brasil para seguir os estudos: "Se o aluno realmente está em dúvida, quer aprimorar uma língua estrangeira, conhecer novas culturas e conhecer outro país é interessante. Mas não pode perder o foco dos estudos. O ideal é que volte para ingressar em uma faculdade".
Nem sempre os pais apoiam a decisão do jovem. Às vezes, os pais desaprovam o fato do filho não prestar vestibular imediatamente. Marcelo Cury conta que era um adolescente desinteressado e que aos 16 anos já trabalhava, o que o afastou dos estudos. O hoje jornalista terminou o Ensino Médio aos 28 anos, no supletivo em um colégio de Sorocaba, e começou a trabalhar em uma rádio na cidade. No emprego, recebeu incentivo de seus chefes para entrar na faculdade de jornalismo, na qual se formou em 2000. Antes disso, porém, Cury teve que enfrentar a pressão familiar para que fizesse o vestibular assim que terminasse o colégio. "Todos os pais têm esse plano, sempre foi um processo natural de todo mundo. Mas eu nunca terminava o colégio e não tinha interesse", conta.
Os pais de Monique aceitaram a escolha da filha com mais tranquilidade. Antes de terminar o terceiro ano em uma instituição de cursos pré-vestibular, a jovem também já trabalhava. Por estar indecisa sobre a carreira que queria seguir, acabou o colégio e trocou de emprego. Começou a trabalhar como secretária em uma empresa de inspeção de dutos, no Rio de Janeiro. Lá conheceu uma gerente que havia estudado Letras com ênfase em alemão e que acabou se tornando seu exemplo.
"Na verdade, eu já gostava muito da língua, mas foi quando eu comecei a conversar com ela que me deu um clique", relata. Com um incentivo financeiro da empresa para fazer pré-vestibular, Monique conseguiu passar no processo seletivo da Universidade Federal Fluminense (UFF) para o mesmo curso que sua colega de trabalho havia feito há alguns anos. Ela hoje dá aulas de alemão para crianças e adultos em Caxias do Sul (RS).
Para Monique, a experiência foi válida para seu amadurecimento e a ajudou a seguir o futuro profissional que considera hoje o mais adequado. "Eu demorei a escolher, mas foi a coisa certa. Eu cheguei a pensar em fazer serviço social, mas, quem sabe, hoje não estaria tão feliz", afirma.
Ela aconselha os jovens que não se sentem maduros para optar por um curso superior a fazerem o mesmo. A coordenadora de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, Silvana Letorace, lembra que o término do colégio é o momento em que os alunos realmente começam a caminhar sozinhos e devem fazer um curso que considerem a escolha correta. Portanto, artifícios como intercâmbio podem ajudar no seu crescimento pessoal para tomar tal decisão.
Cai percentual de calouros com menos de 20 anos nas federais
Nos anos de 1996, 1997, 2003 e entre os meses de outubro e dezembro de 2010, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais (Andifes), a pedido do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace), realizou pesquisas para compor o perfil dos estudantes das universidades federais do Brasil.

O estudo constatou uma diminuição do percentual dos jovens com idade inferior a 20 anos. Em 1996 e 1997, 21,41% dos alunos em instituições de ensino superior federais tinham menos de 20 anos. Em 2010, o índice caiu para 16,8%. Um aumento foi observado quanto a presença de alunos com idade entre 20 e 25 anos, que passou de 53,77% para 57,73%. O percentual dos estudantes universitários de 25 a 29 anos também aumentou de 14,6% para 16,39%.
O coordenador nacional da Fonaprace, Fabrício Carvalho, vê que isso é resultado de dois fatores associados: o aumento do número de vagas proporcionadas pelo plano Reestruturação e Expansão de Universidades Federais (Reuni) e a necessidade de uma formação superior no mercado de trabalho brasileiro. Isso fez com que pessoas que antes não tinham interesse em cursar uma faculdade repensassem a ideia. Ele lembra também que houve um aumento dos cursos noturnos, o que facilitou o ingresso de jovens trabalhadores, como Monique e Marcelo.
Carvalho afirma que a ascensão da classe média também poderia estar associada ao crescimento das porcentagens apresentadas pelo estudo: "Essas pessoas que estão alcançando a classe média são potencialmente produtivas. Com o aumento da sua renda, naturalmente há uma vontade, primeiramente pessoal, e uma necessidade de qualificação no mercado". Carvalho observa que antes todos os membros da família precisavam trabalhar para completar a renda, mas agora sobra tempo para alguém deste círculo familiar estudar. [Fonte: Terra]

MEC divulga dados preliminares do Censo Escolar 2012


O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta os dados preliminares do Censo Escolar 2012, publicados no Diário Oficial da União. De acordo com as informações, nas redes estadual e municipal, a educação infantil (creche e pré-escola) conta com 5.160.436 alunos matriculados. Nessas redes, há 25.013.441 alunos no ensino fundamental. O ensino médio registra cerca de 7 millhões estudantes. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA) presencial, no ensino fundamental, são 2.256.914 matriculados, enquanto no ensino médio são 985.769.
O censo, realizado em parceria com as redes municipais e estaduais, é o mais abrangente levantamento estatístico sobre a educação básica no País. As informações são usadas pelo Ministério da Educação (MEC) para a formulação de políticas e para definir os critérios de repasse de recursos a escolas, estados e municípios. Os dados servem também de base para o cálculo dos indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que serve de referência para as metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). [Fonte: Terra]

Pesquisa: brasileiros são otimistas em relação ao futuro da educação


Os brasileiros estão entre os mais otimistas em relação ao futuro da educação no País nos próximos dez anos. É o que aponta a pesquisa Olhares sobre a Educação Ibero-Americana, divulgada nesta quinta-feira pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). O levantamento entrevistou mais de 22 mil pessoas em 18 países da região. Nos países das Américas Central e do Sul, a população acredita que a educação irá melhorar na próxima década, mas muitos cidadãos ainda dão "nota vermelha" para os sistemas locais de ensino.
Para 62% dos entrevistados brasileiros, a educação vai melhorar, 26% acreditam que ficará no mesmo patamar e 9% avaliam que irá piorar. Apenas o Paraguai tem um resultado melhor: naquele País, 64% esperam avanços na área. Já os hondurenhos são os que menos acreditam no futuro do sistema educacional: só 26% acham que a situação irá melhorar, enquanto 37% acreditam que ficará no mesmo nível e 23% preveem piora. Em todos os países, o percentual de pessoas que avaliam de forma positiva o futuro da educação é superior ao daquelas que têm uma percepção negativa.
"Esse otimismo do cidadão é um fator de enorme pressão aos sistemas educativos. Expectativas positivas contribuem fortemente para que a educação funcione", avalia o secretário-geral da OEI, Álvaro Marchesi. Por outro lado, os brasileiros estão entre os que têm a pior avaliação sobre a qualidade do ensino público no seu País. A nota atribuída pelos entrevistados, em uma escala de 0 a 10, foi 5,2 pontos, a quarta mais baixa entre os países pesquisados, ao lado de Honduras. O país que, na avaliação dos entrevistados, tem o pior sistema de ensino é o Chile, cuja nota foi 4,6. Os mais satisfeitos são os costa-riquenhos e os nicaraguenses, que atribuíram nota 7 à educação.
O relatório destaca, entretanto, que os resultados devem ser analisados com prudência, já que a percepção dos cidadãos está ligada às circunstâncias sociais, econômicas e políticas de cada País no momento em que a pesquisa foi feita. "Estamos analisando expectativas e não indicadores concretos, que muitas vezes não correspondem às opiniões da população", destacou Marchesi.
Os entrevistados também elegeram o que consideram prioridades para a educação avançar. Em primeiro lugar, aparece melhorar a qualidade das instalações, com 45% das respostas. Na sequência, está melhorar a formação do professor (41%), melhorar o salário do professor (29%) e incorporar as novas tecnologias no ensino (28%). Só 9% acham que aumentar a jornada escolar diária é importante para fortalecer a aprendizagem. Cada entrevistado pôde marcar mais de uma opção.
O Brasil foi o país que registrou o maior o percentual de pessoas que consideram o aumento dos salários dos professores uma medida prioritária para melhorar a educação: 57% marcaram essa opção, contra 29%, considerando a média das respostas de todos os países latino-americanos. O percentual de brasileiros que avaliam como bom ou muito bom o nível de conhecimento dos professores sobre os temas que lecionam foi 81%, acima da média da região (77%). Os professores mais mal avaliados foram os do Chile (58%). Na outra ponta, estão os da Colômbia (90%). O relatório completo está disponível, em espanhol, na página da OEI . [Fonte: Terra]

Críticas a escolas unem blogueiras mirins de Brasil e Escócia


Embora uma esteja em Argyll, na Escócia, e a outra em Florianópolis, no Brasil, as meninas Martha Payne, 9 anos, e Isadora Faber, 13, têm muito em comum. Tímidas, porém questionadoras, as duas sonham em ser jornalistas e chamaram a atenção da mídia ao criticar as escolas onde estudam em blogs na internet, cobrando das autoridades soluções para os problemas.
A convite da BBC Brasil, as duas blogueiras-mirins trocaram vídeos contando mais sobre a experiência pessoal de cada uma. Martha ficou feliz em saber que serviu de inspiração para Isadora. "Bom trabalho! Aposto que você também vai inspirar muitas outras crianças ao redor mundo!", disse a escocesa no vídeo.
Ainda no final de abril, a escocesa criou o blog Never Seconds (Nunca Repetir o Prato, em tradução livre), criticando a pouca quantidade e baixa qualidade da merenda em sua escola. Além de apontar que alguns alimentos não eram saudáveis, Martha dizia que muitas vezes chegava em casa ainda com fome.
Na época, a BBC Brasil entrevistou o pai da menina, Dave Payne, trazendo a história para o público brasileiro. Na capital de Santa Catarina, Eduarda Faber, de 15 anos, leu a reportagem na internet e mostrou para a irmã mais nova.
Conhecida na família por seu lema "tacar o horror", Isadora, que desde muito antes já dizia que pretende trabalhar como repórter, se inspirou pela ideia e logo enxergou a possibilidade de expandir o projeto. "Se ela falou das merendas e deu resultado, vou falar também de outras coisas, porque minha escola tem mais problemas", foi a reação da garota, relembra a mãe, Mel Farber.
Brasil
Por ser mais nova, Martha divulgou as fotos das merendas em um blog montado e mantido com a ajuda do pai. Já a pré-adolescente brasileira criou sozinha a página Diário de Classe: A Verdade no Facebook, com fotos de bebedouros e ventiladores quebrados, uma quadra sem cobertura e até um pedido para que um professor fosse substituído.

"Estamos no Brasil, as coisas podem ser mais difíceis", aconselhou a mãe. "Mas mesmo assim ela embarcou na ideia e seguiu firme", conta. Dias depois, após sites de notícias, jornais e programas de TV darem destaque ao assunto, o governo local anunciou a troca do professor e uma série de reformas foram iniciadas na escola.
Como boa jornalista, Isadora está de olho e vem postando fotos das obras que incluiem pintura da escola, novos banheiros, instalação de novas portas e até de um telefone público novo. O blog da escocesa Martha foi lido por quase 8 milhões de pessoas em quatro meses e a página da brasileira Isadora no Facebook, em pouco mais de um mês já conquistou quase 200 mil seguidores.
Reações
Martha também conseguiu o que queria. Seu blog virou notícia não só na Grã-Bretanha mas em diversos países, e sobretudo nos Estados Unidos e na Austrália, muitas crianças copiaram a ideia. "Sei que também há projetos semelhantes na França, Alemanha e na Nova Zelândia", diz Dave. "Mas a grande maioria foca no assunto das merendas. A página da Isadora é a primeira a tratar de tantos assuntos, em um lugar tão longe, e sem dúvida é a que rendeu mais repercussão até agora", acrescenta o pai da menina.

Tanto a escocesa como a brasileira, no entanto, tiveram que manter-se firmes diante de represálias dentro e fora da escola. "Os professores apoiavam, mas o conselho de educação da região não gostou e acabou retaliando", diz Dave. Em junho, o conselho de Argyll decidiu que a menina não poderia mais postar fotos de merendas em seu blog e proibiu os professores de comentarem o assunto em sala de aula.
"É difícil, porque o governo é muito maior do que nós. Ela se assustou, mas logo expliquei que os adultos ficaram bravos porque estavam com muita vergonha", explica o escocês.
Em Florianópolis, professores, coordenadores, a diretora e até as merendeiras da escola quiseram impedir Isadora de continuar com as críticas. "Puxavam o prato da mão dela na hora da merenda. Foi sério. Ela sofreu repressão mesmo e ainda não terminou, porque a reforma da escola está na metade. Mesmo assim ela nunca faltou à aula", diz Mel.
A página da catarinense entrou no ar no dia 13 de julho, mas só ganhou repercussão nacional nesta semana. "Tive até que me afastar do trabalho. Ela tem dado entrevistas todos os dias, para jornal, portais, telejornais. Não posso deixá-la sozinha", diz a mãe da catarinense.
África e livro
Além das críticas às merendas, o blog de Martha lançou uma campanha para arrecadar fundos para a Mary's Meal, uma entidade de caridade que entrega alimentos a escolas na África.

Em quatro meses ela arrecadou 114 mil libras (R$ 370 mil), e no fim de setembro irá ao Malawi, um dos países mais pobres do continente africano, para acompanhar os programas beneficentes. Dave adiantou à BBC Brasilque ele e Martha estão escrevendo um livro sobre o blog, os bastidores, e como o projeto foi recebido pelo conselho de educação e por crianças ao redor do mundo. Com previsão de lançamento para o Natal, o livro se chamará Never Seconds.
"O contato entre Martha e Isadora certamente será um dos pontos altos do livro", diz Dave. "Precisamos comemorar o que estas duas meninas estão fazendo. O mais bacana é que não há política para as crianças. Elas veem o mundo real, e é ótimo vê-las sendo ouvidas. Elas não têm medo de errar. Os adultos desistem muito fácil".

Concurso nacional para seleção de professores terá 1ª edição em 2013


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta terça-feira que a primeira edição da Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente será em 2013, provavelmente em setembro. A intenção do governo é aplicar uma prova única para selecionar professores para as redes de ensino de todo o País.
A partir dos resultados, os municípios e Estados que aderirem ao exame poderão selecionar os profissionais a partir do banco de classificados que será criado com os resultados, sem a necessidade de organizar seus próprios concursos.
A ideia surgiu ainda em 2010. A primeira edição será voltada à seleção de professores para atuar nos primeiros anos do ensino fundamental. De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, o pré-teste do exame já foi feito e o banco de itens que comporão a prova está pronto.
"Uma governadora de um estado do Nordeste me disse que fez um concurso para selecionar 3,5 mil professores, mas, em algumas disciplinas, como física e matemática, nenhum foi selecionado. Nós vamos tentar ajudar esse quadro em rede nacional, com a prova de ingresso na carreira", disse o ministro.
O Ministério da Educação estima que os resultados serão aproveitados principalmente por municípios menores, que têm dificuldades técnicas e financeiras de realizar concursos públicos.
A matriz dos conteúdos que serão cobrados na avaliação foi publicada em março de 2011. De acordo com o documento, a prova vai avaliar o profissional a partir de três dimensões: profissão docente e cidadania, trabalho pedagógico e domínio dos conteúdos curriculares. Serão exigidos conhecimentos em temas como políticas educacionais, gestão do trabalho pedagógico, além do domínio dos conteúdos como língua portuguesa, matemática, história e artes.[Fonte: Terra]

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Melhor professor da Flórida, brasileiro foi aos EUA por amor


Alexandre Lopes trabalha com um programa de inclusão para crianças com autismo em sala de aula - Foto: Macy''s/Divulgação
A vida do brasileiro Alexandre Lopes nos Estados Unidos está marcada por uma palavra tão comum quanto poderosa: amor. Foi atrás de um que, em 1995, ele trocou o Rio de Janeiro pela cidade Aventura, no condado de Miami-Dade. O tempo passou, aquele amor acabou, mas Lopes insistiu em seu sonho americano. Formado em produção editorial, chegou a ser comissário de bordo nos EUA. Mas foi quando iniciou o mestrado em educação que conheceu outra paixão que arrebataria sua vida. Em julho, foi escolhido o professor do ano no Estado da Flórida, vencendo cerca de 185 mil pessoas. Aos 43 anos, ele concorre agora na etapa nacional e, se vencer, poderá receber o prêmio das mãos do presidente Barack Obama, na Casa Branca.
Natural de Petrópolis, no Rio, o brasileiro ganhou o prêmio estadual após percorrer algumas etapas. Primeiro, concorreu na escola em que leciona, a Carol City Elementary, depois, na região central e no condado de Miami-Dade, até chegar ao Estado da Florida. Todos os professores da rede pública do Estado concorrem ao prêmio, concedido pelo Departamento de Educação da Flórida. O resultado da fase nacional deve sair entre abril e maio de 2013.
Lopes conta que, em cada etapa, é necessário um trabalho escrito que demonstre a filosofia e a prática educacional do docente, entre outros quesitos. Os candidatos também são entrevistados e observados em sala de aula pelo comitê de seleção. Quando se apresentam para as entrevistas formais, têm 30 minutos para escrever uma redação sobre um tema surpresa. Os prêmios do condado e do Estado são em dinheiro, mas a etapa estadual, por exemplo, foi patrocinada pela rede de lojas de departamento Macy's, que deu ao professor US$ 10 mil, uma viagem a Nova York com três acompanhantes e um vale para fazer compras nas lojas da rede.
Além dos prêmios materiais, Lopes ganhou outra coisa com o título: popularidade. "De uma hora para outra me tornei uma pessoa pública, tanto nos Estados Unidos como no Brasil", conta o professor. "Há muito que pensar. Sempre fui empenhado e dedicado ao meu trabalho e à minha vida pessoal, e é exatamente assim que planejo ser daqui para frente. Cuido do presente o melhor que posso, e não temo o futuro. Gosto de desafios. Desconfio que o fato de ter sido selecionado entre 185 mil professores não é nada se comparado aos desafios que estão por vir", complementa, antes de elogiar a parceria entre o ensino público e patrocinadores privados para estabelecer um programa de reconhecimento aos professores.
Com o prêmio, Lopes terá de cumprir uma extensa agenda no próximo ano, dedicando-se a palestras, workshops e outras atividades fora da sala de aula.
O começo de tudo 
Ainda no Brasil, Lopes se formou em produção editorial na Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Desde o jardim-de-infância até o final do meu bacharelado, sempre fui ensinado por educadores brasileiros. Acho que cheguei aonde cheguei, em grande parte, devido aos grandes mestres que tive no Brasil", ressalta.

Logo que chegou aos Estados Unidos, contudo, ele ainda não pensava em ser professor, apesar do desejo já haver se manifestado quando criança. Lopes chegou a trabalhar como comissário de bordo, voando rotas latino-americanas como intérprete de português e espanhol. Quando a vocação começou a se manifestar, procurou um mestrado na área de ensino, especializando-se em educação especial na primeira infância na Universidade de Miami. Atualmente, ele cursa o doutorado em educação especial e educação urbana na Universidade Internacional da Flórida.
O projeto 
Foi no mestrado que o professor começou a se envolver com o programa de inclusão para crianças com autismo em sala de aula, utilizando o método Learning Experiences - An Alternative Program for Preschoolers and Parents (LEAP, Experiências de aprendizado - um programa alternativo para pré-escolares e pais, em tradução livre).

No programa, alguns alunos têm autismo e outros têm o desenvolvimento típico para a idade. "Minha visão educacional é holística. Cuido do lado acadêmico, mas também do lado social e emocional de meus alunos", conta o educador, explicando que, por se tratar de uma área carente e com muitos imigrantes, muitos estudantes têm dificuldade em se adaptar. Lopes usa música e tecnologia em sala de aula e busca integrar a família e a comunidade com os alunos. "Tudo dentro de minha sala contém um rótulo e está acessível aos meus alunos, pois assim eles podem explorar o ambiente e tomar as rédeas da própria educação", afirma.
Questionado se tem intenção de um dia retornar ao Brasil para desenvolver um projeto semelhante, Lopes disse ainda não ter planos. "Sinto-me lisonjeado com o interesse do povo brasileiro pelo meu trabalho. Mas tudo é tão recente que ainda não consegui colocar minhas ideias em ordem. Quanto ao futuro, ele nada mais é que uma consequência do presente. O que tiver que vir virá e será de bom tamanho", declara.[Fonte: Terra]
Mais informações sobre o prêmio e a trajetória de Lopes podem ser conferidas na página do professor na internet.

101 links para aprender idiomas gratuitamente


Aprender uma língua estrangeira deixou de ser sinônimo de cursos pagos. É cada vez mais fácil encontrar opções gratuitas. O portal Universia Brasil, por exemplo, divulgou na noite desta quinta-feira 101 links para quem quer aprender outro idioma de graça. São mais de 20 línguas, como latim, alemão, persa, chinês, esperanto, nórdico antigo, hindi, italiano, romeno, japonês, sudanês, turco, árabe e russo.
Os internautas podem acessar conteúdos para iniciantes, canais de vídeos do You Tube com aulas, podcasts, livros, ferramentas para correção e tradução, aplicativos para celular e comunidades e fóruns para compartilhar as experiências com outras pessoas que também estão aprendendo.

De acordo com Alexsandra Bentemuller, gerente de conteúdo da Universia Brasil, em poucas horas a coletânea teve mais de 500 compartilhamentos pelo Facebook, e 100 retweets.

A coletânea não deu prioridade a idiomas específicos, para que os estudantes possam ter liberdade de escolha.  "Aprender um idioma estrangeiro é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade totalmente esclarecida", disse Alexsandra. Segundo ela, os cursos online são destinados a quem quer compreender melhor o mundo e ir bem nos estudos, em provas como o Enem e outros vestibulares. [Fonte: Estadão]

Download grátis de livros pedidos em vestibulares no Universia Brasil


Os estudantes que estão se preparando para prestar os mais diferentes vestibulares do Brasil ganharam uma mãozinha da Universia Brasil. O portal da rede de colaboração universitária está oferecendo gratuitamente para 2013 as obras (e os resumos delas) de 20 processos seletivos importantes no país.


O acesso grátis a livros, que vão dos clássicos da literatura aos de conteúdo acadêmico específico, não é novidade no portal. Já são mais de 600 obras disponíveis. Mas passam a fazer parte da lista os textos pedidos em mais vestibulares do Brasil, como as federais de Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul, além das universidades mais concorridas de São Paulo, como USP e Unicamp.



De acordo com Alexsandra Bentemuller, gerente de conteúdo do portal Universia Brasil, o processo de escolha dos livros disponibilizados envolve o interesse do leitor e pedidos por meio de enquetes e redes sociais. Os resumos das obras que caem no vestibular são elaborados por um grupo de professores de cursinhos e universidades parceiras. Segundo ela, o download grátis dos livros pedidos nas provas de literatura deve continuar pelos próximos anos, sendo atualizado à medida que os processos seletivos forem mudando.



"A proposta é dar chance de conhecer o livro a quem nao tinha essa oportunidade, democratizar o acesso ao conhecimento. A Universia quer impactar alunos de todo o país oferecendo livros de graça num mesmo endereço", diz Alexsandra. Até o final do ano, o portal tem a meta de disponibilizar o download livre de pelo menos 1000 livros.

Veja a lista dos livros e de seus respectivos vestibulares:
 - Auto da barca do inferno – Gil Vicente (USP, UNICAMP)


- A cidade e as serras – Eça de Queirós (USP, UNICAMP)



- Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antônio de Almeida (USP, UNICAMP)



- Iracema – José de Alencar (USP, UNICAMP)



- Dom Casmurro – Machado de Assis (USP, UNICAMP, UFPE, UFPR)



- O Cortiço – Aluísio Azevedo (USP, UNICAMP)



- Inocência – Visconde de Taunay (Alfredo d’Escragnolle Taunay) (UFPR)



- O Primo Basílio – Eça de Queirós (UFPE, UFRGS)



- Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis (UFRGS, UEG)



- Mestre, Meu Mestre Querido!; Ao Volante do Chevrolet pela Estrada de Sintra; Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto; Lisboa com suas Casas; Todas as Cartas de Amor São; Ode Triunfal; Lisbon Revisited (1923); Tabacaria; Aniversário; Poema em linha reta – Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa. (UFRGS)



- Espumas Flutuantes – Castro Alves (UEL)



- O Bom-Crioulo – Adolfo Caminha (UEL)



- A Capital Federal – Artur Azevedo (UEL)



- A Confissão de Lúcio – Mario de Sá-Carneiro (UEL)



- Contos Gauchescos – João Simões Lopes Neto (UEL)



- Helena – Machado de Assis (UFJF)



- Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo (UFJF)



- Civilização e Singularidades de uma rapariga loira – Eça de Queirós (UFJF)



- Poesias Selecionadas – Gregório de Matos


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Educação do Brasil foi a 3ª que mais avançou no mundo, diz pesquisa


A educação brasileira foi a terceira que mais melhorou no mundo nos últimos 15 anos, atrás apenas do Chile e da Letônia. O resultado consta em um estudo realizado em 49 países conduzido por pesquisadores das universidades de Stanford e Harvard, nos Estados Unidos, e de Munich, na Alemanha. A pesquisa analisou o desempenho destes países com base em testes internacionais de avaliação, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).
De acordo com os especialistas, a melhora na qualidade do ensino desses países, que apresentavam índices baixos, foi registrada porque eles tiveram mais facilidade de subir no ranking ao usar fórmulas de baixo custo que países desenvolvidos já aplicavam. O desempenho também avançou por conta da redução da pobreza e do aumento da escolaridade dos pais.
Deficiências
Apesar dos avanços, o País ainda tem muito a melhorar. Os resultados do último Pisa, realizado em 2010, não foram nada animadores. Em um ranking de 65 países, o País ocupou a 53º posição em Leitura e Ciências e foi 57º em Matemática.

A média brasileira nessas áreas foi de 401 pontos, bem abaixo da pontuação dos países mais desenvolvidos, que obtiveram, em média, 496 pontos. O resultado deixou o Brasil atrás de México, Uruguai, Jordânia, Tailândia e Trinidad e Tobago.
Recentemente, a pressão dos movimentos sociais pelo aumento da taxa de investimento na educação levou a Câmara aprovar o Plano Nacional de Educação (PNE) com a meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. A proposta, em trâmite há 18 meses, foi aprovada por unanimidade e agora segue para o Senado.
O texto explicita que a ampliação dos recursos destinados para educação vai dos atuais 5,1% do PIB para 7%, no prazo de cinco anos, até atingir os 10%, após outros cinco anos, quando termina a vigência do plano. Apesar do forte apelo popular, o governo já se manifestou contra a aprovação da proposta. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já chegou a afirmar que a aprovação da proposta pode "quebrar o Estado brasileiro". No início do mês, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, criticou a proposta durante audiência pública no Congresso. Ele cobrou a definição da fonte de recursos para pagar o investimento adicional contido na proposta.[Fonte: Terra]

PNE: especialistas defendem mais verbas para ensino básico brasileiro


O vultoso ajuste do percentual de investimentos públicos diretos em educação, que saltou de 5,1% para 10% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), tornou-se a meta mais polêmica do novo Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado recentemente na Câmara dos Deputados. A reação do próprio Governo frente à decisão pôs em andamento a apresentação de um requerimento para que o tema volte a ser discutido no plenário da Câmara antes de seguir para trâmite no Senado, a fim de evitar pôr em risco as contas públicas. Embora haja divergências a respeito do percentual de aumento a ser efetuado, os especialistas concordam que é necessário investir mais no setor e defendem que a educação de base seja privilegiada na distribuição dos recursos.
O relator do novo plano, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), explica que o percentual de 7% de investimento foi inicialmente apontado como meta financeira do PNE pelo governo, sendo mais tarde alterado para 8% mais o acréscimo de recursos oriundos do pré-sal. "A projeção do meu relatório dá conta de que 8% de investimentos diretos em educação são suficientes para enfrentar os problemas tanto de melhoria da qualidade da educação brasileira, quanto no que diz respeito às demandas de inclusão das crianças e jovens no sistema educacional", afirma Vanhoni. No entanto, ele diz que os custos foram dimensionados para comportar as metas estabelecidas, que devem ser trabalhadas de forma conjunta pelo governo.
Segundo o deputado, o investimento de 10% aprovado pela Comissão Especial para o plano é fruto da discussão com entidades do movimento social que, há alguns anos, reivindicam o aumento dos recursos para a educação. Embora o índice de 5,1% em relação ao PIB seja semelhante ao adotado por diversos países, o valor absoluto por aluno fica bem abaixo da média praticada por países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de US$ 8,9 mil, enquanto no Brasil, o investimento fica em torno de US$ 2,4 mil por ano.
Diretora executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz acredita que a meta 20 aprovada na Câmara está de acordo com os objetivos da entidade e com a própria política de campanha da presidente Dilma Rousseff, mas ressalta que os recursos precisam ser melhor aplicados. Embora a porcentagem do PIB dedicada à educação tenha aumentado em 25% na década, ela relembra que somente 11% dos alunos concluem a educação básica com níveis satisfatórios de conhecimento em matemática, e cerca de um quarto dos estudantes saem do ensino médio com um bom aprendizado de português.
Para a ativista, a alfabetização das crianças até no máximo os oito anos e a garantia de educação infantil de qualidade devem ser os pontos prioritários do projeto, pois permitem que as demais metas do PNE sejam atingidas plenamente. "É o investimento que mais frutifica no futuro, que continua a render nos anos seguintes", observa. No entanto, Priscila ressalta que o financiamento não pode ser encarado como uma meta em si própria e atua como uma estratégia para viabilizar o aprendizado na escola, objetivo principal do plano. "Se a gestão dos gastos não acompanhar o aumento dos recursos, não se pode ter os resultados que queremos e precisamos", afirma.
A posição é compartilhada pelo senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), que defende uma completa reestruturação do sistema educacional brasileiro em detrimento de um novo PNE. Para ele, a injeção de recursos adicionais no modelo atual de ensino e a má determinação de como efetivar as propostas podem frustrar os objetivos do projeto. "Não está claro como cada meta será cumprida. Temo que mais dinheiro investido signifique desperdício, pois não se está dizendo como ele será gasto", diz o senador.
Autor de estudos sobre o PNE defende viabilidade do aumento 
O professor Nelson Cardoso do Amaral, do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), afirma que o aumento previsto "não é nada catastrófico". Amaral explica que, de acordo com a proposta aprovada na Câmara, a elevação do percentual investido no setor ocorrerá gradualmente durante a vigência do plano, sem representar perigo para as contas públicas, como manifestou o Ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Há tempo para fazer reformas, mudanças tributárias e redefinições das prioridades nacionais para que os valores sejam elevados ao longo do tempo", diz o professor, autor de um estudo sobre o novo PNE e o financiamento da educação no Brasil.

Para Amaral, os recursos adicionais podem ser arranjados por meio dos investimentos do pré-sal, medidas como a implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas - não regulamentado desde 1988 - e a redistribuição do orçamento entre União, estados e municípios, responsáveis, respectivamente, pela maior parte da cobertura de recursos para o ensino superior, médio e fundamental. De acordo com dados do MEC, o investimento por estudante no Ensino Superior é cinco vezes maior do que na Educação Básica, o que, para o professor, deveria ser revisto. "Os estados e municípios já estão no limite. A União poderia investir um pouco mais do dinheiro arrecadado com impostos, mas, sozinha, ela também não pode dar conta disso", afirma. A redistribuição já está sendo discutida pelo processo do novo PNE, com a votação de uma Lei de Responsabilização Educacional aprovada na Câmara.
O professor explica que a distribuição dos 10% acompanhará as duas etapas da implementação do projeto, inicialmente assegurando o acesso universal à educação para então promover um salto de qualidade no ensino. Para que a melhoria no sistema educacional seja efetiva, ele defende a permanência do percentual até 2030.
"A própria dinâmica populacional e econômica do País vai fazer com que, a partir de então, se possa diminuir o percentual do PIB para 5% ou 6%, que é aquele de países que já passaram pelo processo que o Brasil está passando agora", explica, com base em projeções do IBGE e do Ministério da Fazenda que preveem a estabilização da população brasileira e a elevação regular do PIB ao longo do período. Como a tendência é que a população estudantil diminua e o PIB siga crescendo, sobraria mais dinheiro para ser investido por estudante. Contudo, Amaral relembra que a população deve fiscalizar e cobrar dos dirigentes a correta aplicação do PNE não só nos primeiros anos de sua vigência, mas ao longo da década.[Fonte: Terra]

Luva tecnológica transforma linguagem dos sinais em fala


Todo ser humano quer se comunicar, é simplesmente parte da natureza humana. A frase foi escolhida pelos desenvolvedores do Enable Talk, um sistema que permite transformar a linguagem dos sinais (Libras) em fala, por meio de uma luva tecnológica, desenvolvido por programadores ucranianos. O equipamento foi desenvolvido para que pessoas com deficiências auditiva e de fala possam participar da comunicação verbal.
O projeto foi apresentado em um concurso promovido pela Microsoft, o Imagine Cup 2012, e garantiu à equipe, que além de três programadores contava com um designer, o primeiro lugar. Segundo o grupo, existe uma barreira entre as pessoas com conhecem a linguagem dos sinais e as que a desconhecem e o equipamento poderia ajudar a superá-la.
"Mesmo uma coisa habitual como comprar algo pode se tornar um problema se o vendedor não conhecer a língua dos sinais", apontam. Esse tipo de problema afeta as oportunidades de pessoas com deficiência e as possibilidades de realização pessoal.
Para solucionar essa questão, os programadores colocaram sensores flexíveis em um par de luvas, que detectam a posição das mãos. Os dados obtidos são transmitidos por meio de um módulo Blootooth para um celular, conectado a um computador. A luva conta ainda com pequenos painéis solares que diminuem a necessidade de carregamento da bateria e demonstra a preocupação com o meio ambiente.
"Nossa equipe está confiante que este projeto porque nos permite combinar modernas tecnologias no campo da microeletrônica e o poder do Windows OS para tornar o mundo melhor, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para o resto", declarou a equipe em seu website.[Fonte: Terra]

Fazer pausas durante estudo ajuda na memorização, diz pesquisador


Copiar o conteúdo durante a aula, repetir por horas o mesmo assunto e ter um lugar fixo para estudar parece ser uma receita infalível para qualquer aluno. No entanto, estudos comandados por Robert Bjork, do departamento de Psicologia da University of California, Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, apontam para o lado contrário do que geralmente se pensa sobre o processo de aprendizagem e memorização.
De acordo com as pesquisas, fazer pausas durante as sessões de estudo ajuda na memorização do conteúdo a longo prazo e variar o local de aprendizado aumenta a possibilidade de recuperação de dados importantes. O pesquisador diz ainda que as informações são armazenadas na memória quando relacionadas com o que já sabemos e que recuperar memórias é um instrumento de estudo mais poderoso do que estudar um conteúdo novamente.
Diretor do Laboratório de Aprendizagem e Esquecimento (Learning and Forgetting Lab) da universidade, Bjork é especialista em armazenamento de novas informações e formas de retomá-las em nossa mente. No laboratório, são feitos testes sobre a capacidade de aprender e de memorizar no contexto educacional.
Nos anos 1990, Bjork introduziu os estudos sobre "dificuldades desejáveis" (desirable difficulties), no qual explorou, por meio da mudança nos locais e horários de estudo, a forma como armazenamos e lembramos informações. Seus estudos seguem até hoje e ainda surpreendem. Em entrevista exclusiva ao Terra, Bjork fala mais sobre nossa habilidade de guardar e lembrar memórias e sua relação com o aprendizado.
Terra - Quais são as melhores estratégias para aprender algo? O que os estudos recentes mostram sobre a melhor maneira de memorizar o que aprendemos?
Robert Bjork - É importante entender que não aprendemos somente quando nos expomos à informação que queremos saber. Novas informações são armazenadas em nossa memória quando as relacionamos com o que já sabemos. Isso requer que notemos essas relações e interpretemos ativamente o que tentamos aprender. Igualmente importante é praticar a recuperação da informação que desejamos lembrar. Quando geramos informações a partir de nossas memórias, tornamos a informação recuperada muito mais fácil de ser relembrada no futuro. O ato de recuperar é poderoso no aprendizado - consideravelmente mais poderoso do que estudar as informações novamente. Precisamos ser agentes ativos no processo de aprendizagem, não aparelhos gravadores passivos.
Terra - Como nossa memória trabalha para aprender novos dados?
Bjork - Pela associação desses dados com o que já sabemos. Nossa capacidade de armazenar informações em nossa memória é ilimitada, e aprender novas informações aumenta essa capacidade, em vez de ocupá-la por completo. Quanto mais sabemos sobre algum assunto, mais maneiras surgem de ligar a nova informação ao que já sabemos.
Terra - Como o lugar onde estudamos influencia no processo de aprendizagem? Por que seria melhor variar esse local? 
Bjork - Enquanto nossas memórias são ilimitadas do ponto de vista do armazenamento, somos consideravelmente limitados do ponto de vista da recuperação de dados. Muitas das informações em nossas memórias não podem ser relembradas em circunstâncias normais. O que é possível ou não de ser lembrado em nossa memória depende das marcas do contexto ambiental, interpessoal, emocional ou físico daquele momento.
Então, quando estímulos de algum teste ativam sinais que estavam presentes no tempo do estudo, nossa habilidade de relembrar a informação estudada é aumentada. Mesmo marcas restabelecidas pelo meio - ou seja, se imaginar de volta na situação do aprendizado - pode ajudar a relembrar. Quando algo é estudado duas vezes, parece que a habilidade de relembrá-lo é aumentada se a informação tiver sido estudada em lugares diferentes.
Terra - Por que isso acontece? 
Bjork - O porquê disso não é entendido por completo. Mas variar a localização de um primeiro para um segundo ambiente, provavelmente, faz duas coisas: enriquece a codificação, levando o aluno a codificar a informação de alguma forma diferente durante a segunda sessão de estudo; e enriquece a recuperação, fornecendo dois contextos diferentes que podem ser mentalmente restituídos na hora da prova.
Terra - Normalmente, fazemos uma pausa quando trocamos de assunto durante os estudos. Isso melhora a capacidade de memorização? 
Bjork - O que precisamos evitar é a "prática em massa", que significa estudar a mesma informação repetidamente sem fazer uma pausa entre as sessões de estudo. Dar um tempo entre as sessões de estudo melhora a memorização a longo prazo, às vezes de forma substancial. Quando há múltiplas coisas a serem aprendidas, as horas de estudo dessas coisas devem ser intercaladas, não fechadas em blocos de assuntos.
Terra - Qual a melhor forma de fazer anotações durante as aulas?
Bjork - Notas devem ser feitas somente de forma alternada e em comentários, em vez de maneira literal. A pior coisa que pode ser feita durante os estudos é entrar no modo taquígrafo de tribunal - isto é, tentar copiar tudo da maneira como foi dito. Isso reprime o aprendizado. Um taquígrafo pode gravar tudo que foi dito em um dia ou em um julgamento e depois, no final do dia, não ter nenhuma ideia de sobre o que era o caso.
Terra - É verdade que apagamos de nossa memória coisas que aprendemos há muito tempo?
Bjork - Não é verdade. Informações muito antigas permanecem em nossas memórias, mas se tornam inacessíveis e impossíveis de serem relembradas, a não ser que elas continuem sendo acessadas e usadas.

Pesquisadora propõe transformação que garante melhora em escolas


Uma pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) trouxe da Espanha para o Brasil, há 10 anos, o conceito de "Comunidades de Aprendizagem", uma proposta de transformação das escolas que tem o objetivo de garantir a máxima aprendizagem, a convivência plena na diversidade e a participação da comunidade em todos os processos e decisões.
Desde então, a professora Roseli Rodrigues de Mello, do Departamento de Metodologia de Ensino do Centro de Educação e Ciências Humanas da UFSCar, dedicou-se a trabalhar na adaptação da proposta à realidade brasileira - esforço que resultou na transformação de quatro escolas de São Carlos (SP) em comunidades de aprendizagem .
As bases conceituais da proposta - assim como a experiência de adaptação ao Brasil e a implantação do programa na cidade do interior paulista - estão detalhadas no livro "Comunidades de Aprendizagem: outra escola é possível" .
Mello escreveu a obra em coautoria com Fabiana Marini Braga e Vanessa Gabassa, duas de suas orientandas que tiveram participação no processo. O trabalho de Mello com a proposta de comunidades de aprendizagem começou em 2001, quando realizou pós-doutorado no Centro Especial de Investigação em Teorias e Práticas Superadoras de Desigualdades (CREA), da Universidade de Barcelona, na Espanha.
"Fui a Barcelona para estudar esse programa que aproxima a escola das famílias dos estudantes e da comunidade, abrindo-se para uma gestão compartilhada e dialogada com o entorno, a fim de efetivar a aprendizagem de conteúdos de alta qualidade para todos os estudantes da rede pública. A proposta une o conceito de aprendizagem dialógica à noção de diversidade cultural como riqueza humana", disse Mello.
De volta ao Brasil em 2002, a professora difundiu a proposta junto à Secretaria Municipal de Educação de São Carlos, que encampou a ideia. A partir daí, teve início o processo de implantação da transformação em escolas do município.
"Comecei a orientar mestrados e doutorados com projetos voltados para investigar a capacidade de adaptação da proposta. Era preciso saber se seria possível implantar as comunidades de aprendizagem em um formato idêntico ao modelo espanhol, ou se havia especificidades locais que precisavam ser consideradas", declarou Mello.
Braga, que foi orientada por Mello no mestrado e doutorado, fez uma leitura comparativa do contexto da legislação na Espanha e no Brasil. "A comparação teve o objetivo de identificar se a legislação brasileira favoreceria ou atrapalharia a transformação das escolas¿, contou Mello.
A partir de então, entre 2007 e 2009, Mello coordenou o projeto "Comunidades de Aprendizagem: aposta na qualidade de aprendizagem, na igualdade de diferenças e na democratização da gestão da escola", financiado pela Fapesp por meio do Programa de Melhoria do Ensino Público. Gabassa, nesse momento, terminava seu mestrado sobre comunidades de aprendizagem e iniciava seu doutorado sobre o impacto da aprendizagem na sala de aula.
A obra, segundo Mello, é fruto de 10 anos de pesquisas. "O livro conta toda essa trajetória e descreve o que desenvolvemos na pesquisa e no trabalho de implantação dessas Comunidades de Aprendizagem no Brasil", disse.
Atualmente, em São Carlos três escolas municipais de ensino fundamental e uma escola estadual de ensino médio funcionam como Comunidades de Aprendizagem, segundo Mello. "O programa de Comunidades de Aprendizagem prevê a transformação das escolas para garantir dois objetivos fundamentais. O primeiro é a aprendizagem dos conteúdos escolares com a máxima qualidade para todos os estudantes da escola. O segundo é efetivar na escola o que chamamos de convivência respeitosa entre as muitas culturas e formas de ser dos alunos, professores e comunidade", explicou.
A fim de garantir a aprendizagem máxima para todos os alunos - que historicamente não ocorre nas escolas brasileiras - o programa prevê trazer a comunidade para dentro da escola e nunca afastar o aluno da sala de aula. "Chamamos o pessoal da comunidade para participar das discussões, levantar problemas e considerar perspectivas de solução junto com o conselho da escola, intensificando sua interação com os estudantes", afirmou.
A transformação, segundo Mello, requer todo um processo de estudo com base na sociologia, na psicologia, nas teorias das organizações e nas teorias da aprendizagem, que indicam caminhos mais seguros para viabilizar a interação da escola com a comunidade do entorno. "A escola não tem esse histórico, por isso não basta estabelecer diretrizes abstratas. É preciso estabelecer uma forma consistente de encaminhar as mudanças, caso contrário a transformação poderia gerar ainda mais conflitos. Por isso nossa proposta de Comunidades de Aprendizagem foi elaborada com um grupo que conta com 120 pesquisadores de diferentes áreas", declarou.
Na Espanha, de acordo com Mello, 150 escolas já se tornaram Comunidades de Aprendizagem. "Uma pesquisa abrangente feita em 14 países da União Europeia para localizar as práticas educacionais bem-sucedidas no continente apontou as Comunidades de Aprendizagem como exemplo de convívio respeitoso e qualidade de educação", disse a professora.
Fonte: Terra - Com informações da Agência Fapesp

MEC publica regras de programa para alfabetizar crianças até 8 anos


O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quinta-feira uma portaria no Diário Oficial da União estabelecendo as regras do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). O programa, que deve ser lançado em breve, tem como objetivo garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade. Redes municipais e estaduais terão que aderir ao programa para poder receber recursos e o apoio técnico do MEC.
Entre as ações previstas no programa estão a capacitação dos professores alfabetizadores, o pagamento de bolsas aos docentes e a distribuição de materiais didáticos específicos para alfabetização. Outra medida será a criação de uma prova que será aplicada a todos os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental para medir o nível de alfabetização.
Até hoje, o País não tinha um exame oficial para medir se as crianças estavam sendo alfabetizadas ou não na idade correta. Iniciativa semelhante já foi feita pelo Movimento Todos pela Educação que, em 2011, aplicou a primeira edição da Prova ABC. Em caráter amostral, o exame apontou que mais de 40% dos alunos que concluíram o 3° ano do Ensino Fundamental não tinham a capacidade de leitura esperada para esse nível de ensino.
As duas avaliações aplicadas atualmente pelo MEC aos alunos do Ensino Fundamental não aferiam essa informação. A Prova Brasil tem como público-alvo os alunos do 5º ano do Ensino Fundamental. Já a Provinha Brasil, aplicada no 2º ano, era uma ferramenta de uso interno das escolas para que cada professor pudesse acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Com o PNAIC, as escolas deverão informar ao MEC os resultados da Provinha a partir de um sistema que será desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). [Fonte: Terra]

Pesquisas relacionam níveis de escolaridade e expectativa de vida


Pesquisas internacionais têm reforçado a hipótese de que a educação, além de contribuir para a carreira profissional e a formação das pessoas, pode trazer outro benefício a longo prazo. Segundo estudos publicados recentemente, o tempo de escolaridade é um fator importante para uma vida melhor e mais longa.
Uma experiência implementada em escolas da Suécia na década de 50, com duração de 13 anos, proporcionou a pesquisadores da Universidade de Estocolmo o método ideal para verificar a influência de anos a mais de estudo sobre o tempo de vida. Com o objetivo de avaliar o sistema escolar de nove anos antes de aplicá-lo em todo o País, colégios de 900 municípios agregaram um ano extra ao programa escolar de então; as crianças ingressavam no ensino fundamental aos sete anos e cursavam nove séries em vez de oito. Ao mesmo tempo, alguns alunos seguiam matriculados no sistema convencional e atuavam como grupo de controle para fins comparativos.
Cerca de 1,2 milhão de crianças nascidas entre 1943 e 1955 foram incluídas na pesquisa, e nos 58 anos seguintes ao início da experiência, 92 mil morreram. Dados sobre as causas e a idade da morte foram coletados até 2007 por Anton Lager e Jenny Torssander, que analisaram os efeitos do "9º ano" sobre o risco de mortalidade dos participantes em um estudo, divulgado em maio no portal online da revista americanaProceedings of the National Academy of Sciences. No grupo de pessoas que haviam cursado o ano adicional, os pesquisadores encontraram menor incidência de mortes por câncer, acidentes, isquemia cardíaca e demais causas externas reconhecidamente ligadas à educação.
Mas, embora a hipótese que associa níveis de instrução e expectativa de vida não seja uma novidade, ainda é difícil explicar por que isso acontece. "Em toda associação existem mecanismos. Nosso estudo é bastante adequado para verificar se existe uma relação causal verdadeira - e ele sugere que haja - mas não tanto para identificar qual é o mecanismo exato", explica Lager, do Centro de Estudos para Equidade na Saúde da universidade.
Os benefícios da educação não são proporcionados pelo conhecimento em si, mas pela tradução do que é aprendido em cuidado com a própria saúde e segurança, no caso dos acidentes. Para o pesquisador, níveis de instrução superiores resultam em empregos melhores, com salários mais altos e na redução do risco de vícios como cigarro e álcool. Lager também não acredita que as diferenças socioeconômicas entre países como Suécia e Brasil produziriam resultados muito diversos se uma pesquisa semelhante fosse desenvolvida no País. "As crianças da pesquisa cresceram em condições econômicas e com um PIB como o do Brasil hoje", afirma.
Políticas públicas 
Os efeitos tardios da instrução adquirida nos anos iniciais sobre a expectativa de vida também foram estudados por Cleusa Ferri, professora afiliada da Escola Paulista de Medicina (USP). Cleusa foi coordenadora de um estudo que integra o programa 10/66 DRG, formado por pesquisadores de diversos países dedicados ao estudo de doenças crônicas como a demência e de mortalidade entre a população idosa.

Publicado em fevereiro no jornal de livre-acesso PLoS Medicine, o estudo analisou o efeito de fatores socioeconômicos - desde aqueles determinados em etapas iniciais da vida, como a educação, até outros definidos mais adiante, como profissão e aposentadoria - sobre as taxas de mortalidade em idosos da América Latina, Índia e China.
"No entanto, quando analisamos de forma a levar todos estes fatores em consideração juntos, observamos que a educação afeta os níveis de mortalidade no idoso independentemente destes outros fatores que ocorrem posteriormente", explica a professora. A conclusão de que a variável instrução era a única que se mantinha associada às taxas de mortalidade aponta para a importância de políticas públicas voltadas para a educação também para melhorar - e prolongar - a vida das pessoas. "Este achado sugere que acesso universal à educação pode proporcionar benefícios substanciais à saúde de gerações futuras", afirma Cleusa.
Outro motivo para o investimento na área se deve aos indícios verificados pelo estudo de que, provavelmente, a expectativa de vida estaria muito mais relacionada a fatores externos, como os níveis de desenvolvimento socioeconômico de cada país, do que a características biológicas individuais entre a população.
Brasil
Os números do último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um crescimento tanto da educação quanto da expectativa de vida no País: em 2010, o percentual de pessoas sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto foi de 50,2% - índice que, em 2000, era de 65,1% -, e a esperança de vida ao nascer aumentou cerca de três anos no mesmo período. No entanto, os dados não permitem conclusões precisas, pois não existem cruzamentos ou estudos que explorem especificamente a relação entre educação e índices de mortalidade no Brasil.

Apesar disso, a coleta de dados sobre a situação escolar do País é reconhecidamente relevante: além de medir os níveis de instrução dos brasileiros, as pesquisas sobre educação fornecem dados explicativos para outras áreas. "A educação é um tema muito importante pelo escopo básico que ela dá para o entendimento de variáveis como trabalho e saúde", explica Vanderli Guerra, pesquisadora do IBGE.
Vanderli comenta que, com base nos resultados das pesquisas, o nível de instrução normalmente tem relação direta com o rendimento médio dos indivíduos. Em sua pesquisa, a professora Cleusa também cita um estudo semelhante desenvolvido em Bambuí (MG), no qual níveis de escolaridade mais baixos se apresentaram como um dos aspectos associados a taxas maiores de mortalidade entre idosos.[Fonte: Terra]