Programa de Combate ao Bullying

LEI Nº 14.651, de 12 de janeiro de 2009

Fica o Poder Executivo autorizado a instituir o Programa de Combate ao Bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitárias nas escolas públicas e privadas do Estado de Santa Catarina.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA,

Faço saber a todos os habitantes deste Estado que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a instituir o Programa de Combate ao Bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitária, nas escolas públicas e privadas no Estado de Santa Catarina.

Parágrafo único: Entende-se por Bullying atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotadas por um indivíduo (bully) ou grupo de indivíduos contra outro(s), sem motivação evidente, causando dor, angústia e sofrimento e, executadas em uma relação desigual de poder, o que possibilita a vitimização.

Art. 2º O Bullying pode ser evidenciado através de atitudes de intimidação, humilhação e discriminação, entre as quais:

I – insultos pessoais;

II – apelidos pejorativos;

III – ataques físicos;

IV – grafitagens depreciativas;

V – expressões ameaçadoras e preconceituosas;

VI – isolamento social;

VII – ameaças, e

VIII – pilhérias.

Art. 3º O Bullying pode ser classificado de acordo com as ações praticadas:

I – verbal: apelidar, xingar, insultar;

II – moral: difamar, disseminar rumores, caluniar;

III – sexual: assediar, induzir e/ou abusar;

IV – psicológico: ignorar, excluir, perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, tiranizar, chantagear emanipular;

V – material: destroçar, estragar, frutar, roubar os pertences;

VI – físico: empurrar, socar, chutar, beliscar, bater, e

VII – virtual: divulgar imagens, criar comunidades, enviar mensagens, invadir a privacidade.

Art. 4º Para a implementação deste Programa, a unidade escolar criará uma equipe multidisciplinar, com a participação de docentes, alunos, pais e voluntários, para a promoção de atividades didáticas, informativas, de orientação e prevenção.

Art. 5º São objetivos do Programa:

I – prevenir e combater a prática de bullying nas escolas;

II – capacitar docentes e equipe pedagógica para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema;

III – incluir, no Regimento Escolar, após ampla discussão no Conselho de escola, regras normativas contra o bullying;

IV – esclarecer sobre os aspectos éticos e legais que envolvem o bullying;

V – observar, analisar e identificar eventuais praticantes e vítimas de bullying nas escolas;

VI – discernir, de forma clara e objetiva, o que é brincadeira e o que é bullying;

VII – desenvolver campanhas educativas, informativas e de conscientização com a utilização de cartazes e de recursos de áudio e áudio-visual;

VIII – valorizar as individualidades, canalizando as diferenças para a melhoria da auto-estima dos estudantes;

IX – integrar a comunidade, as organizações da sociedade e os meios de comunicação nas ações multidisciplinares de combate ao bullying;

X – coibir atos de agressão, discriminação, humilhação e qualquer outro comportamento de intimidação, constrangimento ou violência;

XI – realizar debates e reflexões a respeito do assunto, com ensinamentos que visem a convivência harmônica na escola;

XII – promover um ambiente escolar seguro e sadio, incentivando a tolerância e o respeito mútuo;

XIII – propor dinâmicas de integração entre alunos e professores;

XIV – estimular a amizade, a tolerância, o respeito às diferenças individuais, a solidariedade, a cooperação e o companheirismo no ambiente escolar;

XV - orientar pais e familiares sobre como proceder diante da prática de bullying, e

XVI – auxiliar vítimas e agressores.

Art. 6º Compete à unidade escolar aprovar um plano de ações para a implantação das medidas previstas no Programa e integrá-lo ao Projeto Político Pedagógico.

Art. 7º Fica autorizada a realização de convênios e parcerias para a garantia do cumprimento dos objetivos do Programa.

Art. 8º A escola poderá encaminhar vítimas e agressores aos serviços de assistência médica, social, psicológica e jurídica, que poderão ser oferecidos por meio de parcerias e convênios.

Art. 9º O poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de noventa dias a contar da data de sua publicação.

Art. 10º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Florianópolis, 12 de janeiro de 2009

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA

Governador do Estado

VALDIR VITAL COBALCHINI

PAULO ROBERTO BAUER

(Publicado no Diário Oficial – SC – Nº 18.524 – 12/01/2009 – Segunda-Feira - Página 03)


Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE Clique Aqui! (Arquivo em pdf)

Frente Parlamentar retoma defesa do Piso Nacional dos Professores

Parlamentares que compõem a Frente em Defesa do Piso Nacional dos Professores, que tem como coordenadora a deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN), retomaram as atividades para o ano de 2009. Os trabalhos se iniciaram na última quarta-feira, 11, quando os componentes da Frente, formada por senadores e deputados federais, se reuniram em Brasília para traçar as metas em defesa da implementação da Lei No. 11.738/08, conhecida como a ‘‘Lei do Piso’’.

A ‘‘Lei do Piso’’ está vigorando desde o dia primeiro de janeiro deste ano. Recebe oposição de prefeitos e motivou, ainda no final do ano passado, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), por parte dos governadores dos estados do Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O STF julgou e reconheceu, em caráter liminar, a constitucionalidade da Lei, mas fez vedações

Segundo a deputada Fátima Bezerra, a reunião da Frente serviu para discutir estratégias e ações, além de criar um calendário de atividades, para acompanhar os atos referentes à consolidação do piso salarial para os professores. Dentre as ações, estão visitas aos ministros do STF para agilizar o julgamento do mérito da ADIN; criação de uma subcomissão na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados para debater, de forma institucional, o tema; incentivo à organização de Frentes Parlamentares em Defesa do Piso nos estados e municípios onde ainda não existam; e a organização de um seminário de avaliação dos resultados da luta.

Fátima avalia que os trabalhadores em educação já obtiveram uma vitória com o reconhecimento da constitucionalidade da Lei do Piso, pelo STF. Adverte para o risco de a lei ser burlada, caso o Supremo mantenha vedado dois itens da lei: o que dispõe sobre o percentual de 1/3 da jornada de 40 horas semanais dos professores para atividades extraclasses, como a elaboração de aulas; e o que impossibilita o uso de gratificações para complementar o valor do piso (R$ 950,00).

Vitória

Na sua forma original, a Lei sancionada pelo Presidente Lula no final de 2008 prevê que as vantagens e gratificações poderiam ser utilizadas na formação do piso neste primeiro ano de 2009. A partir de janeiro de 2010, obrigatoriamente o piso passaria a abranger somente o salário básico. Na sua decisão, O STF recomenda que os gestores possam continuar compondo o piso com vantagens e gratificações até o julgamento final da ADIN.

‘‘Nós conseguimos uma vitória inicial importante com a reafirmação da constitucionalidade da lei. Agora temos que pressionar para que o Supremo julgue o mais breve possível o mérito desta ação. A decisão do STF não trará prejuízos neste ano, mas caso continue sem julgamento, trará muitas perdas para a categoria em 2010, data limite para a implementação total da nova lei. Temos que ficar atentos para resgatar o conteúdo original da lei’’, analisou Fátima Bezerra.

Para a deputada, o piso salarial para os professores é uma antiga reivindicação da categoria que só foi possível após uma longa batalha democrática, que envolveu todos os setores da sociedade brasileira. Fátima ressaltou, ainda, a necessidade do STF reconhecer que o professor tenha um terço da sua carga horária destinado à atividades extraclasse. ‘‘Pela natureza do trabalho, o professor não pode abrir mão de ter um tempo destinado a atualização didática e profissional. Isso é um pressuposto para a atividade docente’’, argumentou a deputada.

‘‘Queremos que o STF conclua a análise dessa ação ainda este ano. Para que isso ocorra vamos juntar forças com todos os setores envolvidos’’, disse. Fátima ressaltou o papel estratégico ocupado por entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que segundo a parlamentar, tem contribuído imensamente com o processo de mobilização em prol da educação brasileira.

Movimento: Todos Pela Educação

Para biógrafo inglês, Lula avançou economia, mas fracassa na educação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz gesto após votar em 2006 (arquivo)
Presidente conta com índice de 83% de aprovação popular
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, "um dos presidentes mais significativos" da história do Brasil no século 20, caminha também para ser "um fracasso na educação", na opinião do pesquisador britânico Richard Bourne, autor de um livro sobre Lula.

Lula of Brazil (Zed Books, Londres e Nova York), biografia política do ex-metalúrgico eleito e reeleito presidente, compila para o leitor do inglês os avanços e dificuldades do atual governo. O lançamento da obra, nesta terça-feira em Londres, vem a tempo de jogar uma luz sobre as razões que levam a popularidade de Lula a níveis recordes de 80%.

"Lula domina completamente a cena política no país. Ricos e pobres acham que Lula é uma pessoa que cuida do país", avalia Bourne, ex-jornalista do The Guardian, hoje pesquisador sênior do Institute of Commonwealth Studies, em Londres.

Bourne não esconde a simpatia que sempre nutriu por Lula desde que o ex-metalúrgico se destacou no sindicalismo nos anos 1980 – ou, a rigor, não esconde a simpatia pelo Brasil. Diz que "deixou seu coração" no país quando desembarcou pela primeira vez no Rio, em 1965. É autor de um livro sobre Getúlio Vargas e outros sobre líderes latino-americanos.

Nesta entrevista à BBC Brasil, o pesquisador faz uma avaliação dos altos e baixos do governo. Sublinha avanços no combate à pobreza e na política externa. Mas não deixa de criticar com severidade o que chama de "fracassos" no impulso à educação e em relação à esperança de fundar no Brasil "um tipo mais ético de política".

BBC Brasil - Seu livro vem em um momento em que a popularidade do presidente bate recorde e alcança 80%. Como explicar esse fenômeno?

Richard Bourne - Lula domina completamente a cena política no Brasil. Em parte, porque está no poder há muito tempo, em parte pelo que fez, em parte pelas suas características tão humanas. As pessoas se sentem muito seguras com Lula. Ricos e pobres acham que Lula é uma pessoa que cuida do país. Mas até por isso seu legado político será complicado...

BBC Brasil - Seria minha próxima pergunta…

Bourne - Lula sempre foi mais popular do que o PT. E muitas vezes ele até se mostrou muito impiedoso com o PT. Isso significa que não podemos pressupor que um petista o suceda. De certa forma, chegar à Presidência se tornou uma grande conquista pessoal de Lula, e é difícil que haja outro Lula. Felizmente, ele não deu ouvidos às pessoas que queriam convencê-lo a mudar a Constituição para poder se candidatar para um terceiro mandato. Isso seria um desastre para o Brasil.

BBC Brasil - Ampliando a questão do legado. O senhor é um estudioso de Vargas. Podemos comparar o legado de Lula e Vargas, os dois "pais dos pobres"?

Bourne - A comparação de que Lula e Vargas são pais dos pobres é adequada. Vargas criou os arranjos de seguridade social e era apoiado por movimentos operários. Mas esses movimentos eram apoiados pelo Estado. Já Lula fez muito mais pelos pobres que não estão na economia formal, ao introduzir o Bolsa Família e prover o recurso a 12 milhões de famílias só até o fim do 1º mandato. Acho que fez tanto como pai dos pobres quanto Getúlio.

BBC Brasil - O senhor diz que o Bolsa Família é um avanço na questão da pobreza, mas o programa tem ajudado em relação à educação?

Bourne - Acho que a educação é um dos grandes fracassos de Lula. Acho que ele perdeu o primeiro mandato ao não fazer nada pela educação pública no Brasil, algo que qualquer pessoa, qualquer observador internacional, qualquer brasileiro informado no Brasil enxerga como uma das maiores fraquezas do país.


Lula em 1994 (arquivo)

Lula durante segunda campanha contra FHC, em 1993

Talvez porque ele mesmo tenha conseguido chegar ao topo sem educação formal ou porque se cansou de pessoas sabidas dizendo a ele que ele deveria ter se formado – não sei – mas parece que ele, pessoalmente, nunca considerou a educação tão importante para o seu país como deveria.

Esse é um grande contraste com outros líderes, como Nelson Mandela, da África do Sul, que estudou na prisão e obteve seu diploma na prisão, e mesmo Robert Mugabe, do Zimbábue, que privilegiou a educação quando chegou ao poder nos anos 1980. Acho que a questão da educação é um fracasso pessoal de Lula, e é bem difícil compensar isso.

BBC Brasil - Mas se há pouco investimento em algo tão estratégico no longo prazo, como a educação, o que resta?

Bourne - No seu segundo mandato, Lula tentou incluir seu pacote de crescimento, o que eu acho que funcionou, além de conseguir se beneficiar da expansão econômica. Há alguns avanços na parta da educação cultural. Houve um aumento no número de universidades, há bons avanços feitos na parte cultural pelo ex-ministro Gilberto Gil nas favelas. É uma tentativa de elevar um pouco o nível de alfabetismo. Mas, como disse, acho que a educação pública foi um certo fracasso ao não ser considerada como devia.

BBC Brasil - O senhor dedica um capítulo aos escândalos de corrupção. Como avalia esse quesito?

Bourne - A situação ética e política é uma parte ruim do legado de Lula. Simplesmente deu errado muito cedo, por conta do pacto com o demônio que ele fez logo no início da sua quarta tentativa para chegar à Presidência. Acho que Lula simplesmente se cansou de perder. E acho que isso foi uma traição do espírito que animou a fundação do PT no início dos anos 1980. Porque em qualquer grupo no qual você se incluísse no PT, fosse radical, marxista, moderado, a única coisa do qual estava totalmente certo era de que era preciso um tipo de política mais ético no Brasil. E nisso ele fracassou.

BBC Brasil - Há algo que se possa fazer em relação a isso?

Bourne - Sim, há uma série de coisas que podem e precisam ser feitas. Muito mais esforço deve ser dirigido à eleição dos políticos. Há bons políticos, nem todos do mesmo partido, nem todos de esquerda. E uma coisa é certa: a sociedade civil, ONGs, o terceiro setor, todos aqueles setores pressionando por transparência precisam ser reforçados. Obviamente, a imprensa e a mídia em geral têm um tremendo papel nisso. Eles fizeram um bom trabalho durante o mensalão. Esta vigilância é muito importante.

BBC Brasil - Mas o senhor crê que é possível reverter a sensação de que todos os políticos...

Bourne - ...são bandidos e que a política é um negócio? Acho que isso é bem difícil, e digo por quê. O Brasil é um país muito grande e relativamente desorganizado. Um pouco como os Estados Unidos, onde política também pode se confundir com negócio. Você nunca consegue se livrar disso totalmente, mas acho que pode reduzir o mal. Mesmo assim, se olhar a história brasileira, vai ver que há diversos políticos honestos desde os primórdios, desde o século 19. Não gosto da idéia de simplesmente desistir do Brasil em relação a isso.

BBC Brasil - O senhor mencionou a relação da imprensa com o governo. Esta relação não é antagonista? Se sim, é visível?

Bourne - Acho que sim, é visível. Sempre houve uma hostilidade nesses interesses travestidos dos ricos por parte da imprensa. De certa forma, era uma questão de poder. Eles não queriam ter seus privilégios ou opiniões questionados. Mas acho que agora há algo diferente. Imagino que os jornalistas estão apenas cansados de Lula. O mesmo tipo de atitude que existe aqui em relação ao Gordon Brown. De certa forma, é natural e até bom. Eu sou um ex-jornalista, sei que é preciso algum grau de cinismo e ceticismo entre os jornalistas em relação a políticos.

BBC Brasil - O senhor diz no seu livro que a política externa do Brasil reflete os ideais iniciais do PT, e que a política econômica é a maior traição desses ideais. Pode explicar?

Bourne - Talvez a política econômica do PT tenha sido irrealista quando ele foi eleito. Voltar a uma era de controle estatal quase total das instituições é insustentável em um mundo globalizado. Já a política externa foi bem fundamentada.

Algo que não foi bem sucedido foi a tentativa de se tornar o líder dos latino-americanos – acho que foi mal pensado. O Brasil é muito grande e ameaçador aos olhos dos outros países, e apenas se o Brasil estiver trabalhando claramente nos interesses deles, eles vão concordar em ser representados pelo Brasil. Lideres nacionalistas como Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales quase inevitavelmente se viraram contra empresas brasileiras, como Odebrecht e a Petrobras.

De certa forma, o Brasil está pagando o preço de se tornar uma economia capitalista relativamente bem sucedida. E isso é um pouco duro para Lula, porque ele é um representante da esquerda, e de repente os interesses nacionais do Brasil e os interesses dos governos de esquerda entraram em colisão.

Mas há que fazer uma distinção entre a abordagem hispânica e brasileira. A do Brasil sempre foi a de acomodação, mesmo quando mudanças drásticas de rumo estavam ocorrendo. Enquanto no mundo hispano-americano, você atira e resolve o problema. Veja Pinochet no Chile, veja a Argentina. São duas culturas políticas muito diferentes. Para mim, para minha visão, o Brasil é um lugar muito mais civilizado.

-

Reflexão sobre as metas para a educação brasileira...


METAS PARA A EDUCAÇÃO

Por: Jorge Schemes

Recentemente especialistas definiram cinco metas que devem ser cumpridas para tentar colocar o Brasil no mesmo nível de países desenvolvidos. Até 2022, o Brasil não deverá ter mais qualquer criança entre quatro e 17 anos fora da escola, e todos precisarão estar plenamente alfabetizados até os oito anos. Além disso, o estudante deverá apresentar aprendizado adequado à sua série e concluir o Ensino Médio até os 19 anos. E os investimentos em Educação serão ampliados e bem geridos. Apesar de serem metas totalmente viáveis, são dependentes de uma enorme vontade política e social, e podem ser frustradas se de fato não houver comprometimento com a educação.
Essa busca pela excelência na educação estará fadada ao fracasso se não seguir sete medidas testadas e aprovadas pelos países desenvolvidos. Essas sete medidas são a conclusão e o resultado de um estudo realizado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts - USA). São elas:

1º) Recrutar os professores mais talentosos e capazes para ensinar - Para tanto, o Governo, em todos os níveis, deve investir pesado em capacitação e desenvolvimento humano, bem como aderir à política pública da elevação do piso nacional para os professores.

2º) Para cada estudante de pedagogia um tutor, ou seja, um professor experiente para orientá-lo e avaliá-lo na prática pedagógica - Infelizmente essa não é uma realidade nacional, principalmente nos cursos de formação docente à distância. Há uma verdadeira banalização do ensino à distância. Penso que o Ministério da Educação deveria se preocupar em regular os mesmos para oferecerem cursos de bacharelado, mas não de licenciaturas, pois a diversidade metodológica, didática e pedagógica, bem como a prática de ensino e o acompanhamento docente no estágio ficam no mínimo comprometidas.

3º) Aumento significativo do salário inicial dos professores para tornar a profissão tão atraente como em outras áreas mais bem remuneradas – A questão salarial e a profissionalização docente estão intimamente relacionadas com a qualidade no ensino. Como atrair para a educação os melhores educadores se o salário é indigno?

4º) Investir na capacitação dos diretores oferecendo cursos na área de gestão – De acordo com dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, do MEC), 59,8% dos diretores de colégios públicos foram escolhidos por indicação da Prefeitura ou do Estado em 2004. A prática se mostra recorrente, na medida em que, em alguns Estados, esse percentual chega a ser superior a 90%, como o Amapá (94,7%), o Rio Grande do Norte (92,3%) e Sergipe (92%).Por outro lado, o percentual de diretores eleitos no país é de 19,5%, enquanto a taxa de concursados é menor: 9,2%. Diante dos dados e dos fatos, a pesquisa concluiu que a escolha por indicação é a pior forma por colocar na escola uma pessoa que não tem vinculação com o sistema educacional, mesmo em alguns casos em que possa existir algum critério nessa indicação. Todavia, na maior parte das vezes, a escolha é político-partidária. Além de ser a forma mais criticada por especialistas, a indicação política é, segundo o SAEB (exame do MEC que avalia a qualidade da educação), a que tem mais impacto negativo no desempenho dos estudantes.

5º) Auditoria nas escolas, nas salas de aula e no ambiente físico e pedagógico – Ou seja, técnicos são designados para visitar a escola, assistir aulas, entrevistar alunos e professores, relatar as deficiências e apontar as mudanças necessárias, e se for o caso, até mesmo indicar a exoneração do mal gestor escolar.

6º) Adoção de um currículo único, consistente, com objetivos definidos e um instrumento para aferir o nível dos alunos - Infelizmente em nosso país ainda predomina um currículo guiado pelas próprias crenças e pela razão dos(as) professores(as).

7º) Aulas particulares de graça - Ou seja, um(a) professor(a) é designado(a) e remunerado(a) para atender os(as) alunos(as) com dificuldades de aprendizagem, à parte das aulas. Essa medida é urgentíssima no caso do Brasil. Os altos índices de repetência comprovam isso, somado ao analfabetismo funcional, ou seja, a incapacidade de entender o que se lê e escreve. A mais triste realidade para um escola é ter alunos analfabetos em todas as séries da Educação Básica. Por essa razão faz-se necessário reestruturar o cotidiano escolar e gerenciar o principal papel social da escola, o de alfabetizar e ensinar com eficácia e qualidade.

Jorge Schemes:
Professor na FGG – Faculdade Guilherme Guimbala – ACE.
Técnico Pedagógico na GERED – Gerência de Educação.
Professor na Rede Pública Municipal de Joinville, SC.

Busca por Excelência na Educação...


Especialistas definem cinco metas, que devem ser cumpridas até 2022, para tentar colocar o Brasil no mesmo nível de países desenvolvidos.

Até 2022, o Brasil não deverá ter mais qualquer criança entre quatro e 17 anos fora da escola, e todos precisarão estar plenamente alfabetizados até os oito anos. Além disso, o estudante deverá apresentar aprendizado adequado à sua série e concluir o Ensino Médio até os 19 anos. E os investimentos em Educação serão ampliados e bem geridos. Estas são as cinco metas elaboradas por especialistas em educação a pedido do Movimento Todos Pela Educação, que está deflagrando uma ação nacional visando colocar o Brasil em pé de igualdade com os países desenvolvidos no que diz respeito à Educação. E o prazo para que isso aconteça já está marcado: o ano de 2022. Porém, para que os objetivos sejam atingidos, é preciso começar a agir desde já. O Movimento Todos pela Educação é uma aliança da sociedade civil, iniciativa privada, organizações sociais, educadores e gestores públicos da Educação. Trata-se de uma união de esforços para que as crianças e jovens tenham acesso a uma Educação Básica de qualidade. Essa ação é suprapartidária, atravessa mandatos e une gerações. Os objetivos são garantir as condições de acesso, alfabetização, sucesso e conclusão escolar, além de lutar por uma ampliação e boa gestão do investimento em educação - explica o presidente do conselho de governança do movimento, Jorge Gerdau Johannpeter.
Dirigente diz que "há muito a fazer":
O dirigente acrescenta que a estrada que leva a uma educação de qualidade é longa, e ainda há muito o que fazer "para que tenhamos a educação necessária para o país que queremos". - A força do movimento reside na articulação dos esforços da sociedade civil, da iniciativa privada e de governos para criar a sinergia necessária à superação do quadro atual da educação no Brasil - conclui. A estudante Luiza Schmidt Mescolotto, 10 anos, que desde os três anos freqüenta as aulas na Escola Praia do Riso, na Capital, diz que estudar desde cedo é importante. - Acho importante estudar porque quando eu crescer preciso saber das coisas se eu quiser ter algum trabalho.

Fique por dentro:
As cinco metas da Educação *
> Toda criança e jovem de quatro a 17 anos na escola
> Toda criança plenamente alfabetizada até os oito anos
> Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
> Todo jovem com o ensino médio concluído até os 19 anos
> Investimento em Educação ampliado e bem gerido

Atendimento de alunos entre quatro e 17 anos
> Brasil 91,9%
> Santa Catarina 93,1%

Alunos que concluíram o Ensino Fundamental até os 16 anos
> Brasil 60,5%
> Santa Catarina 74,13%

Alunos que concluíram o Ensino Médio até os 19 anos
> Brasil 59,1%
> Santa Catarina 66,1%

* devem ser cumpridas até 2022
Fonte: Pnad - IBGE/Tabulação própria
Projeto prega eficiência no uso de verbas:

As metas propostas pelos especialistas em educação contemplam tanto os aspectos quantitativos, de fluxo e acesso escolar, como os aspectos que dizem respeito à qualidade da educação e ao aprendizado dos alunos. Incluem, também, o financiamento e a eficiência no uso dos recursos para que as metas possam ser alcançadas. A Comissão Técnica do movimento estabeleceu também as metas intermediárias - ou metas de acompanhamento anuais e bienais - para monitorar a evolução de cada indicador, dando parâmetros concretos aos gestores das redes e aos profissionais da educação. Definiu, ainda, um período de convergência para a redução das desigualdades entre os estados. - A divulgação e o acompanhamento das cinco metas permitirá que a sociedade, como um todo, monitore a evolução dos indicadores educacionais, cobrando de si mesma e dos governos a melhoria da educação. Essa é a estratégia capaz de diminuir os índices de desigualdade e de gerar uma sociedade mais digna e mais justa - afirma a coordenadora da comissão técnica do Movimento Todos Pela Educação, Viviane Senna.
Valorizar o professor é fundamental:

O Movimento Todos Pela Educação alerta que, para chegar ao bicentenário da independência com uma Educação de qualidade para todos, o país - gestores públicos, profissionais da Educação e a sociedade em geral - precisará fazer mais. Nesse sentido, a valorização dos professores ganha uma dimensão estratégica, que passa pela implantação do piso salarial nacional, a melhoria das condições de trabalho, o uso efetivo de programas adequados de formação continuada e uma maior atenção à formação inicial dos professores. Segundo Viviane Senna, os países que melhoraram a qualidade do ensino e estão fazendo a diferença foram aqueles que conseguiram selecionar os melhores professores, não deixaram nenhum aluno para trás e capacitaram as suas equipes gestoras. - Fazendo esse dever de casa, estaremos cuidando bem da educação das nossas crianças e jovens. Este é um caminho para garantir o cumprimento das cinco metas e, assim, esperamos comemorar que todos terão acesso a uma Educação Básica de qualidade em 2022 - conclui. (Fonte: Jornal DC)

Educação: 7 medidas testadas – e aprovadas

Entender como países em destaque nos rankings de ensino chegaram ao topo é o que mais impulsiona hoje as pesquisas na área de educação. Nenhuma delas foi tão longe quanto um recente estudo da consultoria McKinsey coordenado pela egípcia Mona Mourshed, doutora em desenvolvimento econômico pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e estudiosa das reformas educacionais em dezenas de países. Durante um ano, uma equipe comandada por ela entrevistou mais de 200 pessoas e visitou 120 escolas em vinte países. Justamente aqueles com resultados mais extraordinários na educação, caso de Cingapura, Coréia do Sul e Finlândia. O maior mérito do trabalho é chamar atenção para práticas comuns a esses países, todas testadas com sucesso na sala de aula. Na semana passada, Mona esteve em São Paulo para falar sobre o estudo a representantes do Ministério da Educação (MEC) e de secretarias de ensino. Ela diz: "Estou certa de que outros países podem se beneficiar dessas práticas a curto prazo e sem gastar muito".

Em entrevista a VEJA, a consultora fala de sete medidas aplicadas com sucesso nos países que estudou – e que podem ajudar também a elevar o nível do ensino no Brasil.

Só os melhores ensinam – Poucos fatores influenciam tanto a qualidade do ensino em um país quanto o nível de seus professores – daí a relevância de recrutar os mais talentosos. Foi com esse objetivo que países como Coréia do Sul e Finlândia criaram seleções tão rigorosas quanto as de uma grande empresa. A triagem começa na escola. Só podem concorrer a uma vaga nas faculdades de educação aqueles 10% com o melhor boletim, dado especialmente espantoso diante da realidade de países como o Brasil: os professores brasileiros compõem justamente a turma dos 30% com as piores notas. Para sonhar com um lugar numa dessas faculdades (e muita gente lá sonha mesmo), é preciso ainda passar por provas, entrevistas e aulas demonstrativas devidamente avaliadas por especialistas. Com tantos filtros na entrada, a experiência aponta para três efeitos positivos: não se desperdiça tempo nem dinheiro na formação de gente sem talento, a qualidade dos cursos aumenta e a carreira de professor, naturalmente, ganha novo status. Nada disso faria mal ao Brasil.

Para cada estudante de pedagogia, um tutor – Em países de bom ensino, ninguém se forma sem antes fazer o básico: entrar numa sala de aula na função de professor. Não se trata de um estágio comum. Os universitários são acompanhados por espécies de tutores, professores experientes cujo papel é orientar os novatos do momento em que se sentam para planejar uma aula até quando corrigem a lição. Mais do que isso: aos tutores é designada a tarefa de avaliar o desempenho dos aspirantes a professor, corrigir eventuais falhas e ensinar tudo na prática – chance que os estudantes brasileiros raramente têm. A decisão de criar essa função, tomada por governos de diferentes países, ajudou a elevar o nível dos professores recém-formados. Deu tão certo que, em alguns lugares, tais profissionais já são figuras permanentes nas escolas, caso da Inglaterra. Lá, eles não apenas dão consultoria aos principiantes como avaliam, diariamente, o nível geral do ensino.

Tornar atraente a carreira de professor – A junção de duas medidas se revelou eficaz em uma dezena de países. Uma delas diz respeito ao salário inicial dos professores: quando o valor foi igualado ao de outras carreiras, houve um substancial aumento na procura por faculdades de educação. O detalhe é que tais países, entre os quais Coréia do Sul e Cingapura, não reservaram nenhum centavo a mais para a educação. Eles conseguiram mais dinheiro ao decidir aumentar o tamanho das classes, medida que permitiu enxugar o quadro de professores – e pagar mais aos recém-formados. Esses países não fizeram isso sem consultar as pesquisas. Segundo elas, turmas maiores não prejudicam o ensino de maneira significativa, como apregoa o senso comum. Por outro lado, um bom salário inicial tem funcionado como poderoso fator de atração de gente talentosa. Isso, no entanto, não é o bastante. Os mais brilhantes só passaram a procurar maciçamente a carreira de professor depois que esses países implantaram sistemas meritocráticos, nos quais os melhores ganham mais dinheiro e responsabilidade e vislumbram no horizonte a possibilidade de exercer diferentes funções, como a de "consultor de currículo" – tão prestigiada quanto a de diretor de escola.

MBA para os diretores – Em geral, vale a regra: quanto mais eficiente o diretor, melhor é o ensino da escola. Por isso, países de educação exemplar se empenharam em encontrar uma fórmula para chegar aos melhores e treiná-los para exercer a função. Enquanto em nações que aparecem na rabeira dos rankings, como o Brasil, os diretores ainda tomam decisões com base na intuição, naquelas que estão no topo eles só podem ocupar o cargo depois de passar por uma espécie de MBA. Durante seis meses, freqüentam cursos para aprender técnicas elementares de gestão e fazem estágio em grandes empresas, nas quais observam os métodos aplicados por executivos. É assim em Cingapura, país que levou às últimas conseqüências o treinamento de diretores na iniciativa privada. Ninguém lá é empossado sem antes se internar numa multinacional, entre as quais HP e IBM, e provar, por meio de avaliações, ter aprendido a traçar metas, cobrar resultados e estimular uma equipe.
Escola na Finlândia: reformas no ensino que deram certo

Auditoria na sala de aula – Monitorar a qualidade do ensino por meio de critérios objetivos é básico – e o Brasil já faz isso há uma década. Um passo adiante, segundo revela a experiência de outros países, é dar a especialistas a tarefa de inspecionar periodicamente as escolas, como em auditorias feitas nas empresas. Nesse caso, eles são contratados pelo governo para produzir avaliações sobre o ensino nas escolas. Durante as visitas, assistem às aulas, entrevistam alunos e professores e observam o estado de conservação do prédio. Dessas auditorias não resultam apenas relatórios, mas também um conjunto de recomendações bem práticas, como mudar os rumos de uma disciplina ou mesmo trocar um diretor ineficiente. Sim, em cidades como Nova York eles podem ser demitidos caso não dêem mostras de estar à altura do cargo.

Roteiros para ensinar – A história é a mesma em países de ensino exemplar: nenhum deles alcançou o sucesso em sala de aula sem um bom currículo oficial. Entenda-se por isso aquele cujas metas de aprendizado são claras e exigentes. A experiência mostra que esse é um divisor de águas entre o mundo da intuição, no qual os professores se guiam pelas próprias crenças, e o da razão. Com o currículo, eles passam a ter objetivos definidos – e um instrumento para aferir o nível dos alunos diante de expectativas concretas. Ainda que não pairem dúvidas sobre o mérito dessa prática, ela é rara no Brasil. Para se ter uma idéia, apenas recentemente o estado de São Paulo passou a adotar um currículo único nas escolas – até o ano passado, eram 600 deles. São justamente os países de mau ensino, como o Brasil, que mais precisam dos currículos, e eles devem ser prescritivos. Só é recomendado que se tornem mais flexíveis quando o país já tiver enraizado a cultura do bom ensino, o que não é o caso do Brasil.

Aula particular de graça – Em escolas públicas de países como a Finlândia, nada funcionou tão bem no combate à repetência como a implantação de um sistema para atender os estudantes com dificuldade de aprender, à parte das aulas. O reforço escolar é levado tão a sério que em cada escola há alguém designado para ministrar as tais aulas particulares. Esses professores não costumam se queixar. Ganham mais e têm boas condições de trabalho: são treinados durante um ano para a função e ainda contam com a ajuda de psicólogos para lidar com os casos mais difíceis. Não é pouca gente que freqüenta esse tipo de aula: cerca de 30% dos alunos. A decisão de investir aí se provou acertada – até do ponto de vista financeiro. Cada aluno que repete custa algo como 20.000 dólares a mais aos cofres públicos. Ao fazerem as contas, os especialistas concluíram que custa menos pagar pelo reforço escolar. Depois dele, a reprovação sempre despenca – algo que em países campeões em repetência como o Brasil é emergencial – e o ensino melhora. (Fonte: Veja.com)

Lula: universidade pública abrirá 400 mil vagas em 4 anos

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, anunciou que, nos próximos quatro anos, serão aumentadas em mais 400 mil vagas nas universidades brasileiras públicas, passando dos atuais 12 alunos por professor para 18 alunos por professor. Segundo o presidente, essas expansão será proporcionada pela implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

O presidente Lula analisou o setor educacional para o jovem no País, aproveitando a realização da Conferência Nacional da Juventude, que acontece em Brasília, com 2.280 delegados, representando todos os estados, municípios e comunidades tradicionais. "É importante lembrar que essa é a primeira conferência feita com foco na juventude brasileira e já mobilizou em todo o país mais de 400 mil participantes. O objetivo principal: promover o direito à participação da juventude, fortalecer a rede social institucional para a juventude, identificar desafios e prioridades para que o poder público possa atuar junto à juventude brasileira", afirmou.

Lula lembrou que o País registrou "três décadas em que a economia brasileira não cresceu, não se fez os investimentos necessários na área de educação, na área da formação profissional". "Portanto, eu diria que o Estado brasileiro tem uma dívida com a nossa juventude, ou seja, a juventude precisa ser motivada. É preciso que a gente crie oportunidades para que a juventude possa ter perspectivas de vida ou no campo educacional ou no mercado de trabalho. Se não tem escola para os jovens estudarem depois que terminam o ensino fundamental e o segundo grau, não tem formação profissional e não tem emprego. A juventude fica à mercê do narcotráfico, à mercê do crime organizado. Por isso, eu posso dizer para você que é a primeira vez que o país conta com uma política voltada especificamente para os jovens".

Lula salientou que, em 2005, foi criada a Secretaria Nacional da Juventude e que enviou no final do ano passado para a Câmara uma medida provisória que unifica todos os programas voltados para a juventude. "Nós também aumentamos a faixa etária dos beneficiários dos programas para a juventude, que antes era de 15 a 24, para 15 a 29 anos. E o objetivo concreto é ampliar o atendimento aos jovens excluídos da escola e da formação profissional", disse o presidente.

Lula afirmou ainda que antes da unificação, esses programas atendiam 467 mil jovens em todo o País. Com a integração, até 2010, segundo Lula, eles irão cuidar de aproximadamente 3,5 milhões de jovens, um investimento de R$ 5,4 bilhões. Conforme o presidente, o Programa Universidade para Todos (ProUni) já está colocando aproximadamente 400 mil jovens na universidade brasileira e, neste ano, haverá a formatura dos primeiros 60 mil jovens brasileiros no ProUni". (Fonte: YahooNotícias)

Educação à distância cresceu 571%

Censo: Educação a distância é a modalidade que mais cresce.

O crescimento do número de cursos de educação superior a distância é o maior destaque do Censo da Educação Superior de 2006, divulgado nesta quarta-feira, 19, em Brasília. De 2003 a 2006, o número passou de 52 para 349, o que significa aumento de 571%.O crescimento do número de estudantes em cursos de educação a distância também superou expectativas. Eles passaram de 49 mil em 2003 para 207 mil em 2006, aumento que corresponde a 315%.Os dados demonstram também um crescimento geral no número de alunos matriculados em cursos de educação superior — de 4,99 milhões para 5,31 milhões, incluindo cursos presenciais, a distância, seqüenciais e tecnológicos. “Esperávamos que a educação a distância tivesse um aumento, mas os números coletados pelo censo superaram nossas expectativas”, revelou o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), Reynaldo Fernandes.O secretário de educação a distância, Carlos Bielschowsky, atribui o crescimento à credibilidade desse método de ensino, ao incremento da tecnologia nos últimos quatro anos e à criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB). “O Exame Nacional de Avaliação de Desempenho de Estudantes demonstrou que os alunos de cursos a distância vão tão bem quanto os de cursos presenciais. Aliás, em alguns cursos, eles tiveram desempenho melhor”, diz Bielschowsky. Outra novidade foi a evolução, em 2006, da taxa de escolarização líquida — corresponde ao número de alunos matriculados em cursos de educação superior sem distorção de idade. Ou seja, jovens de 18 a 24 anos que estão na faculdade. Em 2005, o número de jovens em instituições de ensino superior correspondia a 10,9% do total de jovens brasileiros; em 2006, a 12,1%. “Ainda é pouco, mas há duas décadas esse percentual estava praticamente estagnado”, destacou o diretor de estatísticas e avaliação da educação superior do Inep, Dilvo Ristoff. “Conseguimos iniciar uma mudança.”A Região Sudeste ainda tem o maior número de instituições de ensino superior, com 48,1% do total, mas essa representação vem diminuindo a cada ano com o crescimento em outras regiões. O Nordeste, por exemplo, tinha 388 instituições em 2005. Em 2006, já eram 412.Matrículas — A rede pública responde, de acordo com o censo, por 25,9% das matrículas em graduações presenciais, enquanto a rede privada fica com 74,1%. No entanto, o número de doutores em exercício nas universidades públicas (42 mil) é superior ao da rede privada (24 mil).Na relação doutor por aluno, as instituições federais de educação superior são as mais bem colocadas. Elas têm, em média, um doutor para cada 69 alunos, enquanto as faculdades particulares têm, em média, um para 178. Em todo Brasil, predominam as instituições de pequeno porte: 67,5% das 2.270 instituições que participaram do censo de 2006 têm até mil alunos.As mulheres continuam como a maioria em cursos de educação superior. Elas correspondem a 55,7% do total de matrículas em 2006. A única categoria do censo na qual as mulheres ficam em segundo plano é a de número de professores na educação superior — os homens têm 55,5% dos postos. De acordo com o presidente do Inep, os números ainda não refletem a primeira fase da expansão universitária. “A maior parte da expansão começou a funcionar este ano”, lembrou. “Esperamos ter dados ainda mais positivos no censo de 2007.”´
Mais:

Só 12,1% dos jovens entre 18 e 24 anos são universitários

O número de pessoas matriculadas no ensino superior cresceu no País entre 2005 e 2006:

O último Censo do Ensino Superior, divulgado hoje pelo Ministério da Educação, mostra que a taxa de escolaridade líquida - que considera apenas os jovens de 18 a 24 anos - passou de 10,9% para 12,1%. Mesmo pequeno, o crescimento é comemorado pelo MEC. É o maior registrado nos últimos anos. "Nas décadas de 80 e 90 a taxa esteve estagnada em torno de 9%. Voltou a crescer agora. Apenas isso é uma boa notícia", afirmou Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). A taxa mostra que mais jovens na idade correta estão chegando ao ensino superior. Mas há também mais pessoas no ensino superior. A taxa de escolaridade bruta - calculada considerando-se todas as pessoas matriculadas, independentemente da idade, em relação ao número de jovens - também cresceu. Passou de 18,2% para 20,1%.O ensino superior, no entanto, mantém ainda as desigualdades regionais. Na região Sul, a taxa de escolaridade líquida é de 17,1%, a mais alta do País. Nas regiões Sudeste e Centro-oeste, a taxa atingiu 14%. As regiões Norte e Nordeste não chegam à metade disso, ficando abaixo de 7%. Boa parte desse crescimento do ensino superior pode ser creditado ao aumento dos cursos de graduação a distância. O censo mostra que as matrículas nesse tipo de ensino cresceram mais de 315% entre 2003 e 2006. O número de cursos oferecidos teve uma evolução de 571%. No entanto, apesar do investimento que o governo federal pretende fazer em cursos a distância, a maior parte desse crescimento ainda ocorre em instituições privadas. Isso porque o censo, ainda com dados de 2006, não conta as vagas criadas pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), que entrou em funcionamento apenas este ano. Foram contadas apenas as vagas do programa Pro-Licenciatura, de formação de professores. "Até fevereiro teremos 45 mil alunos na UAB. Até 2009 pretendemos chegar a 200 mil", afirmou Carlos Bielschowsky, secretário de ensino a distância do MEC.

ONU: Brasil está entre últimos da AL em escolaridade de jovens

Os jovens brasileiros estão entre os que permanecem por menos anos na escola na América Latina, apesar de a freqüência escolar no Brasil estar acima da média da região, segundo indica um relatório divulgado nesta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU).


O relatório “Juventude Mundial 2007” indica que os jovens brasileiros entre 15 e 24 anos passaram em média 8,4 anos na escola – entre as pessoas de 24 a 59 anos, essa média é de 7,5 anos.
A maior média de anos passados na escola entre as pessoas de 15 e 24 anos foi registrada no Chile (10,9 anos), seguido do Peru (10,6) e da Argentina (10,5).
Entre os 18 países latino-americanos considerados pelo relatório, o período de anos de escola dos brasileiros de até 24 anos é maior somente do que o dos guatemaltecos (8,2 anos), hondurenhos e nicaragüenses (7,9 anos).
Em relação à freqüência escolar, 73,6% dos jovens brasileiros entre 13 e 19 anos pertencentes à camada dos 20% mais pobres freqüentam a escola, enquanto 89,8% dos jovens na mesma faixa etária entre os 20% mais ricos vão à escola.
O índice brasileiro para os jovens mais pobres é superior ao de nove países da lista – Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Paraguai e Uruguai.

Avanços:
O relatório da ONU afirma que os países da América Latina tiveram grandes avanços no campo da educação nos últimos 30 anos, atingindo um índice médio de 95% das crianças matriculadas no ensino primário, superior aos 85% verificados entre os países em desenvolvimento em geral.
Apesar das melhoras no setor da educação, o relatório adverte que os jovens latino-americanos enfrentam mais dificuldades em conseguir trabalho e renda suficiente hoje do que há 15 anos.
Segundo a ONU, em 2002 cerca de 18% dos jovens entre 15 e 19 anos e 27% daqueles entre 20 e 24 anos não estavam nem estudando nem trabalhando.
O relatório chama a atenção para uma relação entre baixa escolaridade e dificuldades no mercado de trabalho e observa que os jovens que abandonam a escola entre 15 e 19 anos enfrentam mais dificuldades para encontrar trabalho ou encontram trabalhos mal remunerados. (Fonte: BBCBrasil)


NOTÍCIAS RELACIONADAS
Brasil está longe de cumprir metas de educação para 2015, diz Unesco
30 novembro, 2007 BBC Report
Brasil está entre piores em lista de educação da OCDE
29 novembro, 2007 BBC Report
Brasil 'será destaque' em dez anos, dizem jovens em pesquisa
12 novembro, 2007 BBC Report
Ranking mundial de 200 universidades inclui USP e Unicamp
08 novembro, 2007 BBC Report
Educação põe Brasil entre últimos em ranking mundial de talentos
28 setembro, 2007 BBC Report
Em lista de 34 países, Brasil é o que menos gasta em educação
18 setembro, 2007 BBC Report

Francês volta a derrotar calculadora

O francês Alexis Lemaire, 27 anos, voltou a derrotar as calculadoras mais avançadas e quebrou nesta terça-feira, em Londres, seu próprio recorde, ao resolver a raiz 13ª de um número de 200 dígitos em apenas 70 segundos.
Em um teste realizado no Museu de Ciências de Londres, Lemaire calculou a raiz 13ª de um número de 200 dígitos somente com o cérebro e em apenas 70,2 segundos, quebrando seu recorde anterior de 72,4 segundos.
O matemático francês, que faz doutorado sobre inteligência artificial na Universidade de Reims (nordeste da França), calculou corretamente o número 2.407.899.893.032.210, entre as 393 trilhões de respostas possíveis.
Este número (2 trilhões, 407 bilhões, 899,893 milhões, 032.701) multiplicado por si mesmo 13 vezes produz o gigantesco número de 200 dígitos que foi escolhido aleatoriamente por um computador.
"Lemaire se sentou e todo mundo fez silêncio. Depois, subitamente, anunciou a resposta", disse Jane Wess, curadora de matemática do museu de Ciências de Londres.
"Acredito que este é o maior valor que já foi calculado mentalmente", completou.

Educação no Brasil está entre as piores do mundo!!!

Brasil é reprovado, de novo, em matemática e leitura:

A péssima posição do Brasil no ranking de aprendizado em ciências se repetiu nas provas de matemática e leitura. Os resultados do Pisa (sigla, em inglês, para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), mostram que os alunos brasileiros obtiveram em 2006 médias que os colocam na 53ª posição em matemática (entre 57 países) e na 48ª em leitura (entre 56).
O objetivo do Pisa é comparar o desempenho dos países na educação. Para isso, são aplicados de três em três anos testes a alunos de 15 anos em nações que participam do programa. O ranking de ciências, divulgado na semana passada, colocava o Brasil na 52ª posição.
Além de estarem entre os piores nas três provas nessa lista de países, a maioria dos estudantes brasileiros atinge, no máximo, o menor nível de aprendizado nas disciplinas.
O pior resultado aparece em matemática. Numa escala que vai até seis, 73% dos brasileiros estão situados no nível um ou abaixo disso. Significa, por exemplo, que só conseguem responder questões com contextos familiares e perguntas definidas de forma clara.
Em leitura, 56% dos jovens estão apenas no nível um ou abaixo dele. Na escala, que vai até cinco nessa prova, significa que são capazes apenas de localizar informações explícitas no texto e fazer conexões simples.
Em ciências, 61% tiveram desempenho que os colocam abaixo ou somente no nível um de uma escala que vai até seis. Isso significa que seu conhecimento científico é limitado e aplicado somente a poucas situações familiares.
Nos três casos, a proporção de alunos nos níveis mais baixos é muito maior do que a média da OCDE, que congrega, em sua maioria, países ricos.
Comparando o desempenho do Brasil no exame 2003 (que já era ruim) com o de 2006, as notas pioraram em leitura, ficaram estáveis em ciências e melhoraram em matemática.
Uma melhoria insuficiente, porém, para tirar o país das últimas posições, já que foi em matemática que o país se saiu pior em 2006, com médias superiores apenas às de Quirguistão, Qatar e Tunísia e semelhantes às da Colômbia.
Como há uma margem de erro para cada país, a colocação brasileira pode variar da 53ª, no melhor cenário, para a 55ª, no pior. O mesmo ocorre para as provas de leitura e ciências. No de leitura, varia da 46ª à 51ª. Em ciência, da 50ª à 54ª.
A secretária de Educação do governo José Serra (PSDB-SP), Maria Helena de Castro, diz que o resultado em leitura é lamentável. "Essa é uma macrocompetência, básica para que os alunos desenvolvam as outras, como matemática, raciocínio crítico." Nos exames, São Paulo ficou abaixo da média nacional nas três áreas avaliadas.
Suely Druck, da Sociedade Brasileira de Matemática, diz que, em geral, os alunos de outros países, assim como os do Brasil, tiveram desempenho pior em matemática na comparação com as outras disciplinas.
"A matemática se distingue das outras porque desde cedo a criança já tem que ter conhecimento teórico e é um aprendizado seqüencial, ou seja, antes de aprender a multiplicar, tem que saber somar." Por isso, defende que se exija um conteúdo mínimo em matemática para o professor dos primeiros anos do ensino fundamental, quando todas as matérias são ainda ensinadas pela mesma pessoa.
O Pisa permite também comparar meninos e meninas. Em matemática e ciências, no Brasil, eles se saíram melhor. Em leitura, elas foram melhor.


Leia mais
Para diretora da Educação da USP, exame revela "calamidade" em escolas públicas
Brasil está entre piores em lista de educação da OCDE
"Redação Linha a Linha" corrige textos e mostra como melhorá-los
Professor Pasquale mostra curiosidades e dúvidas da língua portuguesa
Livros ajudam a escolher a profissão e a entender o mercado de trabalho
Livro da série "Folha Explica" aborda profissões do século 21
Manual mostra como melhorar o desempenho das crianças na escola

Brasil está entre piores em lista de educação da OCDE

O Brasil é um dos países com pior nível de educação de ciências para estudantes de 15 anos, segundo uma lista de 57 países organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


De acordo com a lista, a ser publicada em detalhes na semana que vem, o Brasil fica a frente apenas da Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Catar e Quirguistão.
O estudo testou as habilidades de mais de 400 mil estudantes nos 57 países que, juntos, correspondem a cerca de 90% da economia mundial.
Os estudantes da Finlândia ficaram em primeiro lugar, seguidos pelos de Hong Kong (na China) e do Canadá.
A pesquisa, baseada em testes realizados em 2006, é o principal instrumento de comparação internacional do desempenho entre estudantes do ensino médio.
Conhecimento e aplicação
O teste mediu basicamente o conhecimento de ciências, mas também mediu a capacidade de leitura e incluiu noções de matemática, e como os estudantes aplicavam esse conhecimento para resolver problemas do dia-a-dia.
O estudo afirma que os resultados têm confiabilidade de 95% e que o Brasil estaria entre as posições 50 e 54 da lista.
Ao comentar a lista, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, disse que ela é uma ferramenta para ajudar os governos a definir suas políticas de educação.
“Na economia global competitiva de hoje, educação de qualidade é um dos bens mais valiosos que a sociedade e um indivíduo podem ter”, disse ele.
Segundo Gurría, “a lista é muito mais do que um ranking. Ela mostra o quão bem os sistemas de educação individuais estão equipando os jovens para o mundo de amanhã. Antes de mais nada, mostra aos países seus pontos fracos e fortes.”
O estudo sobre educação da OCDE é publicado a cada três anos. O documento completo será publicado no próximo dia 4 de dezembro. (Fonte: BBCBrasil)


Inscrições Abertas para o ProUni

As inscrições para o processo seletivo do Programa Universidade para Todos (ProUni) referentes ao primeiro semestre de 2008 estão abertas a partir de hoje. O programa, criado em 2004 pelo Ministério da Educação, oferece a estudantes brasileiros bolsas de estudos integrais e parciais, de 50%, em instituições de educação superior privadas, em cursos de graduação e seqüenciais de formação específica.
No primeiro semestre deste ano, inscreveram-se cerca de 480 mil estudantes. De acordo com a coordenadora do ProUni, Paula Mello, o programa atende alunos carentes que têm dificuldade de acesso à educação superior. "O ProUni tem foco na inclusão com qualidade, uma vez que a seleção dos estudantes é baseada nas notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)", ressalta Paula.
Podem participar do programa estudantes que fizeram o Enem em 2007 e tenham obtido no mínimo 45 pontos (média aritmética entre redação e conhecimentos gerais); tenham cursado o ensino médio em escola pública ou, na condição de bolsista integral, na rede particular; comprovem renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 570) para a bolsa integral e de até três salários mínimos (R$ 1.140) para a parcial. As inscrições serão feitas somente pela internet http://prouni-inscricao.mec.gov.br/prouni/, até as 21 horas de 14 de dezembro. A divulgação do resultado está prevista para o dia 19.

Melhorias
Cerca de 500 estudantes reuniram-se anteontem com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para entregar uma carta de reivindicações a respeito do Programa Universidade Para Todos (ProUni). Entre os principais pontos do documento, estão a necessidade de informações mais claras sobre os direitos e deveres dos bolsistas e a assistência financeira para que possam concluir o curso. O ministro elogiou a iniciativa e prometeu atender às solicitações. Haddad também anunciou que, em breve, a Caixa Econômica Federal vai lançar um programa de estágio voltado aos alunos do programa.
O 1º Encontro dos Estudantes do ProUni, que contou com a presença do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi organizado pela União Nacional dos estudantes (UNE), em parceria com a União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e o Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ).

Educação piorou...

Estudo: para metade dos professores, educação piorou:

Um levantamento conduzido por uma pesquisadora brasileira, e apresentado hoje, indica que, para a maior parte dos profissionais de ensino, a qualidade de ensino piorou nos últimos anos. Menos da metade dos professores da rede pública (42,4%), está satisfeita com suas condições de trabalho. Já na na rede privada de ensino, 71,1% dos professores estão satisfeitos com seu trabalho.
O trabalho foi divulgado nesta quarta, durante o Seminário sobre Valores e Educação para Cidadania, em São Paulo e foi encomendado pela Fundação SM e pela Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI). Foram ouvidos 3,6 mil professores no estudo da pesquisadora Tereza Peres, ex-coordenadora dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ministério da Educação.
Eleum grande número de educadores acredita que a desvalorização da profissão é o principal problema. Para quase 80%, a sociedade não valoriza os professores. Para 51%, nem os pais demonstram respeito ao professor.
A pesquisa aponta ainda um maior comprometimentos dos professores: 65,9% dos entrevistados não deixaria a profissão, mesmo que pudesse. "O estudo mostra que temos de fugir da tendência de culpar ou paternalizar os professores; é preciso lhes dar condições de trabalho e compromissá-los com a eficiência do processo pedagógico", acredita a pesquisadora Tereza Peres. "Já está mais do que na hora de saber o que pensa o professor sobre a escola e sobre a educação."
Foram ouvidos 3.584 professores, em sua maioria do ensino fundamental, de escolas públicas e particulares do Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. (Fonte: Terra)

Por uma pedagogia libertadora

ASPECTOS NORTEADORES DE UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA LIBERTADORA

Por: Jorge Schemes

É fundamental para o professor estabelecer uma relação entre a teoria e a realidade. Para tanto o profissional deve estar preparado (por exemplo: o hábito da leitura do jornal antes de entrar na sala de aula pode ser uma maneira). Há uma carência na preparação, formação e capacitação de professores neste sentido. Que termo seria o mais apropriado, preparação ou formação? Seria a formação o currículo? Que fundamentação epistemológica tem esta formação acadêmica? Neste sentido a influência positivista é muito forte, tanto nas disciplinas pedagógicas como no estágio.
Quanto a educação continuada, ela é relevante dentro do conceito de formação e não de preparação? Seria essa formação, de professores ou pesquisadores? Poderíamos falar em uma capacitação continuada? O fato é que a formação, a preparação e a capacitação são regidas pela Lei do Mercado Financeiro. Em muitos casos há uma terceirização da mão de obra do profissional da educação. Contudo, ser professor, ou estar sendo, é um processo constante e interdisciplinar.

Relações afetivas no sistema ensino-aprendizagem:

A palavra entusiasmo vem do grego e significa “Deus dentro de si”. Em educação é imperativo agir entusiasticamente. Não é o sucesso que traz o entusiasmo, mas é o entusiasmo que traz o sucesso. Os profissionais da educação precisam sentir “graça” no que fazem. “Graça” tem a ver com a inteireza do que se faz. Educar não é apenas um processo racional, pois razão é igual a divisão, essa é a função da razão, ela divide. A razão dá razão, dá o conhecimento, mas não a sabedoria. A razão é um instrumento pessoal, contudo a consciência é universal. Por outro lado, o amor é igual a atenção, pois envolve os cinco sentidos e passa pelo afeto. O que existe, a realidade é o que passa pelo canal dos cinco sentidos, sem isso há um vazio existencial. Olhar, tocar, cheirar, saborear, ouvir. Amar é prestar atenção no outro, pois o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença. Gostar é diferente de amar. Gostar é um sentimento egoísta, pois tudo recebe. Amar é altruísta, pois tudo dá. Entretanto o amor não é fácil, porque para amar é preciso consciência. Contudo, o professor precisa cuidar de si mesmo primeiro para poder dar. Tudo que você põe a sua atenção com amor cresce. Portanto, quem ama primeiro é porque tem mais consciência, não porque tem mais razão.

Onde está a graça da educação?

No resultado? Na nota? Ou no processo? Se a graça estiver no resultado, será como alguém que suporta o mês todo e só sente graça quando recebe. Todo educador precisa diferenciar o automatismo da sensibilidade no processo de ensino e aprendizagem. Pois a graça está no processo que leva ao resultado. A graça está no ritual, no preparo, no processo. É imperativo, se for o caso, resgatar a graça do processo de ensino e aprendizagem.

Avaliação:

O ser humano não é o que sabe apenas em uma determinada área, mas é o que sabe em suas múltiplas dimensões. Não há como separar os sentimentos das teorias defendidas e das ações que são empreendidas. Avaliar é compreender, significa valorizar e, sobretudo promover diferentes jeitos de aprender, de sentir e de viver. Há no mínimo quatro aspectos que devem ser levados em conta na avaliação formativa, ou seja: os registros, os processos de avaliação em si, as concepções de educação e os valores morais e éticos. Avaliação é uma ação multidimensional, por isso é também subjetiva e não apenas objetiva. Um olhar único não absorve toda a multidiversidade que está diante do professor. Essa avaliação também é contínua, qualitativa, emancipatória e interpretativa. É na observação atenta que será possibilitado o exercício do aprendizado do olhar. Quando o professor avalia, ele está no terreno das hipóteses. Avaliar é ter certeza que não temos certeza. Isso exige muitos registros e anotações, tanto por parte do aluno quanto do professor. Mas quais as formas de registro? Com certeza não se dá apenas numa escala numérica. Estabelecer a nota com precisão possibilita escrever (enunciar) o porquê desta precisão (isso não acontece).

Condições de qualidade:

1. Aceitar a diversidade.
2. Reconhecer a multidimensionalidade do termo.
3. Entender qualidade na educação como aprendizagem e formação moral.

Em relação a diversidade, o profissional precisa duvidar sempre de suas interpretações. Há muitos fatores que interferem, ou seja: as impressões generalistas; o que é relevante para cada um; a ditadura do tempo; as aparências e inversões; os preconceitos; as conclusões equivocadas. Quanto a multidimensionalidade (multiplicidade), o profissional precisa valorizar os diferentes jeitos de aprender, de sentir e de viver. Os tempos da dinâmica da aprendizagem envolvem mobilização, experiência educativa, expressão de sentido do conhecimento e mobilização. Por exemplo, proposto o assunto há uma experiência aducativa (atividades diversas, essencialmente interativas); em seguida expressão de sentido (troca de idéias, experiências, anotações, etc.). Este ciclo envolve o professor como avaliador em dimensões e intenções diferentes. A mobilização significa provocar o desejo e a necessidade de aprender, a experiência educativa significa promover a interação afetiva e desenvolver atividades diversificadas, e a expressão do conhecimento significa acompanhar e orientar, por propostas e tarefas gradativas e complementares o conjunto de saberes do aluno.

Dimensões da qualidade:

Primeiramente o educador precisa considerar que os rumos do pensamento não são lineares. A qualidade envolve precisão, coerência e riqueza. A observação de várias dimensões derruba o certo e o errado. Em relação ao aluno há quatro dimensões: objetivos, conteúdos, aprendizagens e cenário avaliativo. Para o professor, além de interpretar a tarefa é necessário mediá-la. Os conteúdos devem ser significativos e o cenário avaliativo tem que estar de acordo com todas as dimensões.


Multiplicidade curricular e avaliação por competências:

O currículo está posto de maneira fragmentada. Como avaliar em cada área do conhecimento? Há que se considerar a especificidade de cada área (matemática, ciências, artes, português, educação física, ensino religioso, geografia, história, etc.). Todas as áreas devem incentivar a produção de textos (escrever, escrever, escrever...). O grande desafio é estabelecer critérios e métodos de avaliação com especificidade para cada área do conhecimento. A pergunta que deve ser feita é: “O que é avaliação para esta determinada área do conhecimento?” Partindo da experiência de vida de cada aluno promover a avaliação formativa. Dedicar mais tempo, atenção e afeto a quem mais precisa significa entender qualidade na educação como formação moral e ética (subjetiva). Competências são objetivos amplos e complexos e envolvem as múltiplas dimensões da aprendizagem propostas pela UNESCO: aprender a fazer; aprender a ser; aprender a conviver; e aprender a aprender. O termo competência é uma nomenclatura diferente, mas o sentido é o mesmo do proposto pela UNESCO. Objetivos amplos e complexos não a mesma coisa que objetivos gerais, e objetivos gerais não são objetivos amplos e complexos. Esse novo caminho avaliativo pressupõe estrutura da escola (administração do tempo e do espaço pedagógico). Todavia, o maior problema a ser superado é o da estrutura curricular. Deve-se levar em consideração a carga horária de cada disciplina e o que é prioritário no processo de ensino e aprendizagem. É um absurdo aplicar provas objetivas, aulas informativas e conteudistas sem antes conhecer o aluno em suas especificidades.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Planejamento estratégico:

Método pelo qual a empresa define a mobilização de seus recursos para alcançar os objetivos propostos. É um planejamento global a curto, médio e longo prazo.
Estratégia: É a mobilização de todos os recursos da empresa no âmbito global visando atingir objetivos definidos previamente. É uma metodologia gerencial que permite estabelecer o caminho a ser seguido pela empresa, visando elevar o grau de interações com os ambientes interno e externo.O planejamento estratégico procura responder a questões básicas, como:
- Por que a organização existe?
- O que e como ela faz ?
- Onde ela quer chegar?
Dele resulta um plano estratégico, ou seja, conjunto flexível de informações consolidadas, que serve de referência e guia para a ação organizacional. Pode ser considerado como uma bússola para os membros de uma determinada organização.

Como Elaborar:

Fases da Elaboração: A elaboração do Planejamento Estratégico compreende quatro fases:
1. Formulação dos objetivos organizacionais: A empresa define os objetivos globais que pretende alcançar a longo prazo e estabelece a ordem de importância e prioridade em uma hierarquia de objetivos.
2. Análise interna das forças e limitações da empresa: A seguir, faz-se uma análise das condições internas da empresa para permitir uma avaliação dos principais pontos fortes e dos pontos fracos que a organização possui. Os pontos fortes constituem as forças propulsoras da organização que facilitam o alcance dos objetivos organizacionais - e devem ser reforçados, enquanto os pontos fracos constituem as limitações e forças restritivas que dificultam ou impedem o seu alcance - e que devem ser superados.
Essa análise interna envolve:
Análise dos recursos (recursos financeiros, máquinas, equipamentos, matérias-primas, recursos humanos, tecnologia etc.) de que a empresa dispõe para as suas operações atuais ou futuras. Análise da estrutura organizacional da empresa, seus aspectos positivos e negativos, divisão de trabalho entre departamentos e unidades e como os objetivos organizacionais foram distribuídos em objetivos departamentais. Avaliação do desempenho da empresa, em termos de lucratividade, produção, produtividade, inovação, crescimento e desenvolvimento dos negócios.
3. Análise externa: Trata-se de uma análise do ambiente externo à empresa, ou seja, das condições externas que rodeiam a empresa e que lhe impõem desafios e oportunidades.
A análise externa envolve: Mercados abrangidos pela empresa, características atuais e tendências futuras, oportunidades e perspectivas.Concorrência ou competição, isto é, empresas que atuam no mercado, disputando os mesmos clientes, consumidores ou recursos.A conjuntura econômica, tendências políticas, sociais, culturais, legais etc., que afetam a sociedade e todas as demais empresas.
4. Formulação das Alternativas Estratégicas: Nesta quarta fase do planejamento estratégico formulam-se as alternativas que a organização pode adotar para alcançar os objetivos organizacionais pretendidos, tendo em vista as condições internas e externas. As alternativas estratégicas constituem os cursos de ação futura que a organização pode adotar para atingir seus objetivos globais. De um modo genérico, o planejamento estratégico da organização refere-se ao produto (bens que a organização produz ou serviços que presta) ou ao mercado (onde a organização coloca seus produtos ou bens ou onde presta seus serviços). O planejamento estratégico deve comportar decisões sobre o futuro da organização, como:
- Objetivos organizacionais a longo prazo e seu desdobramento em objetivos departamentais detalhados.
- As atividades escolhidas, isto é, os produtos (bens ou serviços) que a organização pretende produzir.
- O mercado visado pela organização, ou seja, os consumidores ou clientes que ela pretende abranger com seus produtos.
- Os lucros esperados para cada uma de suas atividades.
- Alternativas estratégicas quanto às suas atividades (manter o produto atual, maior penetração no mercado atual, desenvolver novos mercados).
- Interação vertical em direção aos fornecedores de recursos ou integração horizontal em direção aos consumidores ou clientes.
- Novos investimentos em recursos (materiais, financeiros, máquinas e equipamentos, recursos humanos, tecnologia etc.) para inovação (mudanças) ou para crescimento (expansão).

A ESCRITA DE SI NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE DOCENTES


A “escrita de si” como estratégia de formação continuada para docentes

Por: Célia Maria F. Nunes e Maria Amália de A. Cunha

Resumo
A atuação da Universidade na formação continuada para professores em exercício emerge cada vez mais de uma demanda contínua que tem sido atendida através de ações e projetos de extensão universitária. Assim, através de uma perspectiva interdisciplinar, temos utilizado como estratégia de formação o recurso de elaboração de relatos autobiográficos (estudo de memória) por parte dos professores em formação, com o fito de reconstruir a história da sua formação como professor. Os professores identificam a memória de si e de seus pares acerca de seus primeiros tempos de escola, analisando como este passado desempenhou um papel ativo na construção de sua identidade profissional. O trabalho tem nos mostrado o quanto a memória apresenta-se como um dado fundamental no processo formativo ulterior do sujeito, quando este constitui-se “professor”.

Palavras-chave: formação continuada- relatos autobiográficos como estratégia de formação- trabalho docente.

Quando o passado é o tempo de tirar lições sobre o presente
“(..) a nossa matéria são as “pedras vivas”, as pessoas, porque neste campo os verbos conjugam-se nas suas formas transitivas e pronominais: formar é formar-se”
(Antônio Nóvoa)
A atuação da Universidade na formação continuada para professores em exercício responde cada vez mais a uma demanda contínua e crescente. Tais demandas têm sido atendidas através de ações e projetos de extensão universitária com objetivos e finalidades convergentes no que diz respeito ao atendimento à comunidade em geral. Neste sentido é que temos atuado articulando o ensino e a pesquisa em um programa de formação continuada de professores da educação básica, professores estes que atuam em cidades nas adjacências da Universidade Federal de Ouro Preto. Este trabalho tem se concretizado através da participação e troca de saberes de professores da Universidade e das escolas das redes públicas da região envolvendo diferentes áreas de conhecimento. Visto de uma perspectiva interdisciplinar, temos utilizado como estratégia de formação o recurso de elaboração de relatos autobiográficos (estudo de memória) por parte dos professores em formação, com o fito de reconstruir a história da sua formação. Através deste recurso, os professores identificam a memória de si e de seus pares acerca de seus primeiros tempos de escola, analisando como este passado desempenhou um papel ativo na construção de sua identidade profissional.
Procuramos assim identificar em que medida esta categoria (docente) aproveita o seu passado escolar para construir novas práticas no presente, enquanto “ser professor”. O presente trabalho pretende apresentar ainda a utilização deste recurso de reconstrução da memória em um programa de formação continuada, a fim de ressaltar o quanto tal metodologia pode apresentar-se como um dado fundamental no processo formativo ulterior do sujeito, quando este se constitui “professor”.
A “experiência” como o “termo ausente” no processo de formação continuada de professores
Os estudos direcionados para a formação de professores têm deslocado a centralidade do sujeito (professor) de acordo com as injunções que marcam a conjuntura histórico-social, política e econômica de um determinado período.
Assim, assistimos nos anos 80 a uma diversidade de teorias e práticas pedagógicas que caracterizam a mudança de eixo de uma visão única para uma diversidade de concepções e a valorização da experiência de vida. Os docentes vão assim sendo reconhecidos como portadores de um saber plural, crítico e interativo, fundado numa práxis.
É então a partir do final dos anos 80 que os professores vão se conscientizando acerca do repertório de um saber docente que lhes pertence por ofício. A experiência do trabalho docente é percebida como elemento de formação capaz de valorizar o papel dos saberes da experiência no meio de outros saberes.
A escola e seu microcosmo, o cotidiano das práticas escolares e os “estudos de caso” dão o tom do período em questão. Assim, na perspectiva de uma cultura que se constrói eminentemente na prática, a formação continuada de professores esteve subsumida a cursos de reciclagem ou de rápida duração, colaborando para uma fratura entre o saber advindo da teoria e aquele oriundo do saber fazer.
Já os anos 90 anunciam um período de ressignificação da voz dos professores e eles passam do estatuto de objeto das análises para o de sujeito, proliferando-se os métodos biográficos. O objetivo é o de ressignificar o mundo das professoras na perspectiva de que “o ingrediente que vem faltando é a voz do professor”, (Goodson,1992: 69). Segundo este autor, deve-se reconhecer a força do ambiente sociocultural em que se encontram os professores, daí a importância de se valorizar as histórias dos professores, de compreender suas representações e práticas.
Este enfoque é ampliado através de estudos que envolvem a história de vida pessoal e profissional dos professores, ciclo de vida e experiência docente, memória/docência e gênero (André,1998). Assiste-se então à proliferação dos métodos autobiográficos, da reflexão sobre si, bem como de seu papel ativo na produção de conhecimento e da docência. Como bem lembram Lélis e Nunes (2000) a produção intelectual internacional muito influenciou recortes e objetos da pesquisa no Brasil sobre o magistério, em especial, autores como Nóvoa, Ferraroti, Dominicé, Hubermann, Goodson. Estes autores insistiram na fecundidade do uso de histórias de vida, de narrativas autobiográficas como alternativas que possibilitam ver o indivíduo considerando a história e o seu tempo, possibilitando uma conjunção da história de sua vida com a história da sociedade, esclarecendo assim as escolhas, contingências e opções que se deparam ao indivíduo.
Para Nóvoa, um importante teórico desta abordagem, a produção de práticas educativas eficazes só surge de uma reflexão da experiência pessoal partilhada entre os pares. Para o autor, a escola é o locus privilegiado onde acontece o processo de formação e autoformação. É nesta medida que um processo de formação continuada eficaz pode ocorrer, ou seja, na junção entre a figura do professor como agente do processo de formação e a escola como o local onde esta formação acontece. Conforme Nóvoa (2003):
“a preocupação com a pessoa do professor é central na reflexão educacional e pedagógica. Sabemos que a formação depende do trabalho de cada um. Sabemos também que mais importante do que formar é formar-se; que todo conhecimento é autoconhecimento e que toda formação é autoformação”.
Esta nova forma de pensar a formação dos professores não tem sido desprovida de críticas. Formar professores, numa perspectiva continuada, através de abordagens que preconizam práticas reflexivas e o uso de biografias, representa também um caminho cheio de escolhos. Grande parte da crítica que se endereça a esta abordagem aponta como problema o esvaziamento da categoria trabalho, em detrimento talvez de uma valorização do sujeito e de seu conseqüente distanciamento da noção de classe. O professor correria então o risco de perder sua identidade coletiva através de seu assujeitamento diante de práticas reflexivas e biográficas. Para Freitas (2002:142),
“(...) os anos 90, contraditoriamente, foram marcados também pela centralidade no conteúdo da escola (habilidades e competências escolares), fazendo com que fossem perdidas dimensões importantes que estiveram presentes no debate dos anos 80. A ênfase excessiva do que acontece na sala de aula, em detrimento da escola como um todo, o abandono da categoria trabalho (grifo da autora) pelas categorias de prática, prática reflexiva, nos estudos teóricos de análise do processo de trabalho, naquele momento histórico de abertura política e da democratização da escola, recuperavam a construção dos sujeitos históricos professores como sujeitos de suas práticas”.
Todavia, o principal problema, para Freitas, não está em redimensionar o papel do professor como sujeito ativo de um processo histórico, mas na ênfase excessiva na figura do professor e na sala de aula, em detrimento da construção do coletivo de classe, tornado-se alvo fácil de políticas neoliberais baseadas na qualidade e, conseqüentemente, no diagnóstico prescritivo no que tange às ações do professor.
Não obstante toda a pertinência da crítica de Freitas (2002), nossa hipótese é que as diferentes perspectivas de trabalho apontadas não são excludentes, ou seja, é possível trabalhar com o que Thompson (1978) denominou de “termo ausente” no materialismo histórico de Marx, ou seja, a noção de experiência, sem que para isso a categoria trabalho perca sua centralidade no processo de formação continuada de professores. Para Thompson (1978:182):
“(...) o que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: experiência humana. É esse, exatamente, o termo que Althusser e seus seguidores desejam expulsar, sob injúrias, do clube do pensamento, com o nome de empirismo. Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, dentro deste termo- não como sujeitos autônomos, “indivíduos livres”, mas como pessoas que experimentam suas situações e relações produtivas determinadas como necessidades e interesses e como antagonismos, e em seguida “tratam” essa experiência em sua consciência e sua cultura (as duas outras expressões excluídas pela prática teórica) das mais complexas maneiras (sim, “relativamente autônomas”) e em seguida (muitas vezes, mas nem sempre, através das estruturas de classes resultantes) agem, por sua vez, sobre sua situação determinada)”.
Assim, recuperar um “termo ausente” (a experiência) no processo de formação de professores, não significa obliterar o significado e o valor da profissão docente. Ao contrário, é possível conjugar o papel das representações do magistério em suas dimensões política, sociológica, histórica e, porque não, subjetiva.
Desta forma, convém ressaltar que os estudos biográficos não sobrepujam o sujeito em detrimento do coletivo, mas ao evidenciar o sujeito e sua condição historicamente determinada, evocam a condição de seus pares e, portanto, de sua classe.
Todavia, essa tendência em curso relacionada à utilização da história de vida de professores como estratégia de formação continuada, precisa sim ser rigorosamente avaliada. Analisando as perspectivas atuais da pesquisa sobre docência, André (1998) chama a atenção para a fecundidade deste caminho ao afirmar que
“os programas de capacitação têm procurado levar seus participantes a refazerem sua história de vida, através de um exercício de memória que lhes permite analisar as condições e os contextos em que desenvolveram suas experiências, possibilitando compreendê-las nas suas especificidades e nas suas aproximações com as histórias de outros sujeitos” (1998:72).
Em um texto bastante auspicioso sobre o trânsito entre a “infância e a adultez”, Vieira (1996) mostra como o estudo biográfico e, portanto, as trajetórias dos sujeitos, pode elucidar e desvendar as práticas docentes. Assim, através da trajetória biográfica de duas professoras primárias no interior de Portugal, o autor procura perscrutar de que forma as professoras elaboraram suas posturas frente à diversidade cultural no contexto de sua prática docente. Vieira (1996) identifica dois modelos de professoras que, conforme lembra o autor
“(...) com severas dificuldades, romperam o cerco apertado da ruralidade e singraram na escola, que, como sabemos, opera transfusões na vida cultural dos indivíduos. Com o sucesso escolar, há um aceder à lógica da cultura letrada, à uma lógica da escrita, da uniformidade, da formalidade e da globalidade versus particularidade, da cultura racional e oficial do Estado versus cultura do quotidiano” (1996:136).
É na construção de seus “tipos ideais” (na acepção weberiana) acerca de duas professoras que transpuseram o “estatisticamente improvável” e acederam social e profissionalmente através de uma escolarização de sucesso, é que Vieira identifica dois modelos. Isto somente foi possível através da recuperação da história de vida de ambas, portanto, do método biográfico como recurso importante para refletir sobre as posturas adotadas diante da práxis cotidiana:
a) No primeiro modelo, há o professor que rejeita sua origem, seu passado. Este professor é tido como OBLATO, ou seja, é o devoto da nova posição adquirida e aquele que não faz uso do seu passado como instrumento fértil para suas ações no presente. O oblato assume a nova posição conquistada e a ela faz um devotamento, incorporando-a por completo e esquecendo-se de seu passado.
b) No segundo modelo, há o professor que utiliza suas “marcas sociais”, portanto, seu passado e dele tenta tirar proveito pedagógico para o presente e para o futuro. Segundo Vieira (1996:138),
“(...) o trânsfuga vê sua passagem pela infância e adultez rurais, pelas escolas dos meios campesinos onde veio também a ensinar, como fatos sociais normais, conseqüência da heterogeneidade cultural e da luta de classes. A diferença reside fundamentalmente na sua capacidade de tirar partido pedagógico desse seu passado, hoje presente de muitos, ao invés de o considerar como um handicap”.
O que os estudos biográficos procuram chamar a atenção é que todos nós somos herdeiros daquilo que vivenciamos no passado. Entretanto, é possível tirar proveito pedagógico do passado, ao refletir sobre as experiências pregressas: “por quê me tornei professor”; “o que considero um bom professor”, “por quê ensino do jeito que ensino” e assim por diante. É neste sentido que as narrativas biográficas podem ser percebidas como “biografias educativas” (segundo a acepção de Josso, 2002), pois permitem refletir sobre o passado para propor novas ações tanto no tempo presente, quanto no tempo futuro.
A utilização de relatos autobiográficos na formação continuada
A atividade a que nos aludimos (Formação Continuada) foi desenvolvida junto a um programa extensionista (Programa de Apoio à Educação Básica – PROBASE) que surgiu a partir de uma demanda local que mostrava a necessidade ao professor de ampliar seu horizonte de conhecimentos para além das especificidades de sua disciplina.
As idéias básicas que fundamentam a proposta do PROBASE delinearam, pois, a elaboração de um programa de extensão orientado para a formação continuada de professores das várias áreas de conhecimento – Língua Portuguesa, Ciências Sociais, Ciências da Natureza, Matemática, Astronomia, Artes e outras – presentes no currículo das escolas das redes públicas municipal e estadual da região. Constituído pelos projetos nas várias áreas citadas, as propostas foram sendo construídas em uma perspectiva interdisciplinar, com a finalidade de proporcionar ao professor atuante no Ensino Fundamental e Médio, a oportunidade de conhecer com maior profundidade e rigor conceitual, os temas concernentes a esse nível, tanto na especificidade de cada área de conhecimento, como na interface das mesmas. Assim também, conhecer a variedade de aspectos metodológicos do ensinar e aprender, trazendo para sua reflexão e análise crítica a diversidade de tendências presentes no exercício da Educação. A constituição de um espaço de pesquisa, leitura, estudo e reflexão no Probase, fundamentou a criação e implementação de práticas alternativas voltadas para o ensino e a aprendizagem nas várias áreas e para a realidade das salas de aula dos professores participantes.
A formação continuada foi desenvolvida junto a um grupo composto de 40 participantes, que eram professores especialistas nas diversas disciplinas curriculares e/ou estavam ocupando cargos de coordenação e direção. A formação deles consistia em: Ciências Biológicas, Estudos Sociais, História, Pedagogia, Letras, Matemática e Magistério.
O Programa foi desenvolvido nos dois semestres de 2004 (março a novembro), em 120 horas, sendo 80 horas com atividades presenciais e 40 horas semi-presenciais. Nas 80 horas presenciais os trabalhos desenvolveram-se nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, Filosofia e Ciências Sociais, Ciências da Natureza com ênfase em Química, Matemática, Astronomia e Música na Escola. Os encontros ocorreram aos sábados não-consecutivos com 8 horas de trabalho por encontro.
Nas 40 horas semi-presenciais os professores participaram de palestras, oficinas de música, teatro, higiene vocal, visitas monitoradas a museus e localidades da região. Paralelamente, elaboraram um Plano de Ação Pedagógica (individual ou em grupo/por escola) desenvolvido na escola com a orientação dos docentes participantes do Programa. Pretendeu-se assim que o Programa envolvesse as escolas e não apenas a sala de aula do professor participante, promovendo uma maior integração entre os professores e entre as próprias escolas. Finalizada a etapa, os professores prepararam um relatório completo do Plano de Ação Pedagógica, desde sua proposição, desenvolvimento até os resultados obtidos, os quais foram apresentados à comunidade em geral através de um Simpósio. Todas as atividades foram programadas e organizadas segundo cronogramas previamente estabelecidos e discutidos com os participantes do Programa.
Ainda não se pode adiantar a validade da proposta na sua totalidade, uma vez que a finalização do “Projeto Piloto” acaba de chegar em sua última etapa, com a apresentação dos projetos em um Simpósio. No entanto, o relato positivo dos participantes expressando suas idéias sobre as situações já vivenciadas e o amadurecimento que essa experiência de trabalho já propiciou aos docentes da UFOP envolvidos, leva a crer que o Probase irá frutificar nos anos vindouros. O programa continuará não apenas como mais um Programa de Extensão, como se pretende, mas também como um Projeto fértil que se construirá cotidianamente, através do novo olhar dos professores participantes sobre o conhecimento e, conseqüentemente, do aluno, da escola, da comunidade. Seguramente, todos esses sujeitos envolvidos no processo educativo não serão mais os mesmos, assim como os próprios professores da UFOP tampouco serão os mesmos ao trabalharem neste projeto interdisciplinar de formação continuada.
Como já mencionado, entre as diferentes áreas do conhecimento desenvolvidas no Probase, foi na disciplina de Ciências Sociais que foi desenvolvido o trabalho dos relatos autobiográficos. Esta disciplina teve como um dos seus objetivos a reflexão sobre o papel do professor e sua prática docente enquanto sujeito ativo neste processo de construção do conhecimento. O professor foi percebido como sujeito sócio-historicamente determinado, que produz cultura e que a reproduz no processo de ensino-aprendizagem. Assim, nossa assertiva é a de que somente através da reflexão e do questionamento do professor sobre o seu “estar no mundo e na profissão” é que se faz possível utilizar a história de vida como constructo indispensável para a recuperação de sua identidade e valorização profissional.
A produção a partir dos relatos autobiográficos
Inserido na programação do Programa de Apoio à Educação Básica, foram então desenvolvidos encontros que buscaram trabalhar a formação do professor a partir da utilização de relato autobiográfico. Enquanto estratégia de formação os participantes, através do estudo de memória, puderam reconstruir a história da formação docente de cada um e, procedendo assim, num aspecto mais amplo, elaborar um estudo sobre a cultura escolar.
Procurou-se, assim, investigar a memória dos professores sobre os seus primeiros tempos de escola (este passado desempenhou um papel ativo na construção de sua identidade profissional?). Em que medida esta categoria (docentes) consegue tirar proveito pedagógico de seu passado escolar para construir novas práticas no presente, enquanto “ser professor”? Para tanto, a memória apresenta-se como um dado fundamental do processo formativo ulterior do sujeito.
A atividade propriamente dita foi antecedida da leitura e análise de excertos voltados para “as primeiras experiências da vida escolar nos relatos de professoras e professores”[1],. Em seguida, os professores, a partir da sua própria experiência, foram motivados a produzir o seu próprio relato autobiográfico sobre a sua trajetória enquanto professor.
Como documento balisador foi apresentado uma série de questões tais como:
1) Quais são as lembranças mais recorrentes sobre o tempo vivido na escola, como estudante?
2) Como era a relação com a escola? Gostava de freqüenta-la ou fazia por obrigação?
3) Quais as lembranças que mais lhes marcaram a respeito dos professores? Relate tanto as memórias boas quanto as ruins e a relacione com a imagem que construiu para si mesmo, ao longo do percurso escolar, sobre o “bom” e o “mau” professor.
4) Como a família percebia a importância do estudo em sua vida? A escola era uma condição necessária ou um produto do acaso ou mesmo escolha pessoal?
5) Os pais e familiares próximos atribuíam importância ao chamado “mundo letrado”? A escola chegou a ser uma via de mobilidade social ascendente, ou seja, de possibilidade de um futuro melhor?
6) Como se deu a escolha de sua profissão? O passado escolar interferiu na decisão?
7) Em que medida recorre ao passado para tirar proveito pedagógico de suas práticas cotidianas em sala de aula?
Deste modo, estribado nestas questões, o relato procurou cingir algumas destas temáticas: a) definição de conceitos que circundam o “professor” enquanto profissional, indivíduo, cidadão e sujeito; b) análise da atividade docente e da dimensão política que esta agrega; c) proposição de leituras acerca da relação professor-aluno-escola e comunidade, como uma iniciativa que visa a viabilização de espaços dialéticos, em detrimento à organização positivista das escolas.
Alguns relatos do impacto causado pela atividade realizada junto aos participantes:
“(...) a consciência nasce quando interpretamos um objeto com o nosso sentido autobiográfico, a nossa identidade e a nossa capacidade de anteciparmos o que há de vir”.(Josso, 2002:08)
O material coligido procurou “costurar” aspectos tais como: “O que é a minha formação? Como é que eu me formei? Como eu dou sentido à minha própria história?”. Convém salientar que, de acordo com a perspectiva que adotamos até aqui, acreditamos que as narrativas das recordações escolares ensejam uma postura mais reflexiva sobre a própria formação, tal como indicam alguns relatos:
“(...) nos fazendo refletir sobre nossas vidas e trajetórias como professor, o que, muitas vezes, não refletimos a respeito pelo fato de estarmos sempre ocupados com atividades do dia-a-dia.”
“As discussões e relatos da tarde (Ciências Sociais) acerca do “ser professor” trouxe à tona muitas lembranças e recordações passadas.”
“Estamos chegando ao final dos encontros do semestre e não sei como podem ser feitos certos tipos de críticas. Os encontros têm sido ótimos, essas lembranças dos tempos da escola primária foram legais e foi muito bom estar participando da estória de cada um”.
“A idéia de falarmos a respeito de nossa escolha pela docência foi interessante. O trabalho em grupo nos levou a discutir o nosso papel na sociedade, hoje como professores, e até a ouvir diferentes opiniões dentro do mesmo grupo”.
“O encontro foi bastante proveitoso, principalmente na parte da tarde, que nos fez refletir sobre a profissão “professor”. O assunto foi passado com clareza e, com certeza, todos puderam sair com uma motivação maior em exercer sua profissão.”
Instados a responderam quais eram as boas e as más lembranças que os professores tinham a respeito da escola, suas respostas foram as seguintes:
Lembranças boas:
Horas cívicas; desfile;
Momentos de sociabilidade no interior da escola e fascinação pelo espaço físico;
Deixar a roça para estudar na cidade e a adaptação ao mundo “citadino”; adaptação com os parentes e com a nova vida são lembranças evocadas como boas lembranças;
Emoção ao deparar-se com a caligrafia na escola, com a aprendizagem da letra cursiva e a letra de “fôrma”; emoção ao ler a primeira palavra;
Evocação da hora da merenda: pão com goiabada; leite caramelado, ou seja, tudo isso representava uma novidade em meio a uma situação difícil, de parcos recursos;
Dentre as boas lembranças, encontramos também a escolha da profissão:
Status, prestígio, ascensão social; vontade de “decodificar o mundo letrado” etc.
Estudar para “ser gente”; “dar aos filhos o que não se teve”; “professora: orgulho da família”; inspiração em professores queridos também é uma prática recorrente; profissão mais fácil para ingressar no mundo do trabalho, bem como a “escolha casada da profissão”: “o curso me escolheu e eu escolhi o curso”.
Lembranças difíceis:
Constrangimento em sala de aula, dentre eles o de uma aluna canhota, por não saber escrever com a mão direita; outra professora recorda que ficou trancada no banheiro por chorar pela ausência da mãe;
Sucessão de castigos em decorrência de alguma disciplina; privações, argüições;
Medo dos professores;
Exigência do asseio em relação ao uniforme;
É interessante ressaltar que estas narrativas também produzem um conhecimento capaz de trazer a reflexão sobre a prática do professor, trabalho este que se insere naquilo que Josso (2002) chama de “biografia educativa”. Este tipo de biografia corrobora a importância deste aporte metodológico como instrumento prolífico para a produção de um tipo de conhecimento que faça sentido ao professor, uma vez que este é agora o sujeito da reflexão. A autora lembra que lançar mão daquilo que chamamos anteriormente de “termo ausente”, ou seja, dos relatos biográficos e dos usos de memória como estratégias de formação continuada, representa confrontar o formativo e o prescritivo. Para Josso (2002:23), o formativo, através do recurso biográfico, permite o exercício do “auto-formar-se” e possibilita, conseqüentemente, a revisão, pelo formador, das práticas escolares, levando-os a um questionamento diante de concepção e práticas ainda dominantes na formação inicial e continuada.
Por fim, ao privilegiar o recurso autobiográfico como estratégia de formação docente (continuada ou não), resvala-se em um ponto fundamental para a construção identitária da própria profissão: O que é a formação? Dentro da formação, que lugar ocupam as experiências? Como elas se formam e transformam as nossas identidades e subjetividades?
Para Josso (2002:31), “(...) as experiências, de que falam as recordações-referências constitutivas das narrativas de formação, contam não o que a vida lhes ensinou, mas o que se aprendeu experiencialmente nas circunstâncias da vida”. Assim, corroborando com autora no que diz respeito à importância da reflexão sobre os momentos significativos dos percursos pessoais e profissionais dos docentes e, vendo neste recurso um material prolífico como estratégia de formação, é que optamos pela utilização dos relatos autobiográficos como estratégia teórico- metodológica de formação continuada para professores.

[1] Extraído do texto:“A evocação da entrada na escola: relatos autobiográficos de professoras e professores” de Cynthia Pereira Sousa.