ONG cobra "política estruturante" para melhor acesso à educação


Apesar de o Brasil ter obtido melhores resultados no acesso à educação, com a inclusão de mais 9,2% de crianças e jovens com idade entre 4 a 17 anos nos cursos do ensino fundamental e médio na década de 2000 a 2010, ainda é grande a parcela dos excluídos: 3,8 milhões de pessoas nessa faixa etária.
"São aqueles que estão no campo, em favelas, em bairros muito pobres ou evadidos", afirmou nesta terça-feira Priscila Cruz, diretora executiva do movimento Todos Pela Educação, durante o anúncio do resultado do quarto relatório de monitoramento das cinco metas propostas pela organização não governamental para serem cumpridas até 2022.
Ela alertou para o risco de as cinco metas não serem atingidas. A primeira delas é chegar a 98% dos alunos matriculados, em 2022. "A gente tem um risco muito grande de essas metas não serem atingidas caso não haja uma política estruturante para o setor muito forte em nível nacional e, principalmente, nos estados e municípios, que são os responsáveis pela educação básica", advertiu Priscila.
Na avaliação dela, no tocante à segunda meta - obter índice pleno de alfabetização das crianças com até 8 anos - o resultado "está aquém do esperado". No ano passado, apenas metade das crianças tinha conseguido o aprendizado mínimo em língua portuguesa e 40%, em matemática. Priscila afirmou que a deficiência acaba desaguando no ensino médio, onde apenas metade dos alunos que entram consegue concluir a etapa. Desse total, só 11% atingem o nível adequado de conhecimentos em matemática.
Para reduzir o atraso na aprendizagem dos alunos, é necessário "melhorar a qualidade do ensino e ter políticas de recuperação", defende Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Para ele, fazer o aluno repetir um ano escolar deve ser uma prática adotada em último caso. Ele defende ainda a padronização dos critérios de reprovação na rede.[Fonte: Terra]

Novo Plano de Educação reacende polêmica sobre escola especial


A aprovação do relatório final do Plano Nacional de Educação (PNE), que define as estratégias do setor para a década entre 2011 e 2020, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados gerou polêmica entre os educadores. Além do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à Educação, que foi fixado em 8% (entidades de defesa pediam 10%), o documento aprovado no dia 5 de dezembro criou uma ressalva sobre a universalização do atendimento a alunos com deficiência. A meta número quatro diz que, caso não seja possível integrar esses estudantes em classes comuns, eles terão assegurado atendimento em escolas especiais.
A questão gera controvérsias: enquanto muitos educadores defendem a inclusão no ensino regular a todo custo, instituições especializadas acreditam que alguns alunos perdem tempo em salas comuns.
Referência no Brasil quando o assunto é a defesa do direito à educação, Maria Teresa Mantoan é grande crítica das escolas especiais. "Essas instituições excluem e não incluem. E, agora, o governo está propondo isso", afirma, ressaltando que considera o fato um grande retrocesso. "Beira o coitadismo. É dizer que uma pessoa com deficiência não tem condições de aprender no ensino regular", completa.
Professora há 50 anos, Maria Teresa começou sua carreira na área de educação especial. Foi depois de uma experiência como professora em Portugal que passou a considerar o ensino especializado uma forma de exclusão. Ela conta que começou a acreditar em uma escola acessível para todos quando conviveu um dia inteiro com um grupo de crianças que tinham um colega sem braços e sem pernas. De acordo com ela, o estudante conseguia participar de todas as atividades normalmente. Hoje militante pelas diferenças em ambiente de estudo, fundou o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade. "Uma sociedade justa, sem qualquer tipo de discriminação, começa na escola", diz.
As reviravoltas governamentais sobre o tema, porém, têm interferido em sua luta. "Acreditei no governo Dilma sobre a questão da educação para todos", afirma a professora, que foi homenageada pela presidente em março com a medalha da Ordem Nacional do Mérito. "É um momento muito decepcionante para mim. A escola regular deve trabalhar com a diferença e ter a capacidade de oferecer ensino de qualidade para qualquer tipo de aluno. Sem discriminação", completa.
Segundo a legislação brasileira, não se pode negar ou suspender, sem justa causa, a matrícula escolar de nenhum aluno, especialmente quando o motivo é a deficiência. Além disso, a justa causa não pode ser o fato de a escola não se sentir preparada para receber o aluno com necessidades especiais. Essa conduta é tida como crime desde 1989, e a pena ao infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa. "A proposta do Plano Nacional de Educação está indo contra a convenção internacional", diz a educadora, referindo-se à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela Constituição do País.
O relator do PNE, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), diz que a meta número quatro visa a universalizar o atendimento escolar aos estudantes com deficiência na rede regular de ensino. Mas, caso não seja possível integrar esse aluno, será garantido para ele um atendimento por parte de instituições voltadas para pessoas com deficiência.
"Isso é um crime na educação. A possibilidade de não integração do estudante com deficiência não deveria existir. A escola tem de ser inclusiva e se adaptar às necessidades dos alunos¿, diz Maria Teresa, ressaltando que inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. "Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da pessoa. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas".
'A educação especial complementa o ensino regular', afirma psicopedagogo

Autor de livros como Práticas Pedagógicas para a Inclusão e Diversidade e Autismo e Inclusão, o psicopedagogo Eugênio Cunha levanta a bandeira de apoio à meta número quatro do PNE. De acordo com ele, a legislação fala sobre o apoio especializado para atender as peculiaridades da educação especial, quando for necessário. "A educação no ensino especial não exclui a educação no ensino regular. Evidentemente, as necessidades do aluno dirão se é mais adequado estudar em uma escola regular, em uma especial ou nas duas, mas sempre objetivando a inclusão", explica.

Além disso, Cunha defende que o ideal é uma escola regular inclusiva, preparada física e pedagogicamente para receber qualquer tipo de aluno. Contudo, o educador afirma que o fato ainda é realidade distante no Brasil, principalmente em escolas públicas. Sendo assim, ele passa a questionar se é o aluno com necessidades especiais que deve sofrer as consequências de uma escola não inclusiva.
"Por exemplo, crianças autistas, na maioria das vezes, precisam de uma equipe multidisciplinar: terapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagogo, nutricionista, dentre outros especialistas, além de metodologia específica, que nem sempre a escola regular possui, principalmente as públicas. O que sabemos é que boas escolas especiais fornecem todo esse cabedal educacional para o aluno com necessidades especiais", conclui.
Dados do Censo Escolar 2010 mostram que existem mais de 500 mil estudantes com deficiência física ou mental nas escolas públicas do País. Porém, apenas 30% das escolas de ensino médio e 12% das instituições de séries iniciais estão preparadas fisicamente para receber esses alunos.
Para Maria Teresa Mantoan, a escola brasileira ainda não está preparada totalmente para uma educação inclusiva, mas se encaminha para isso. Ainda assim, não acredita que a resposta esteja em instituições especializadas. "Essa preparação não irá acontecer antes para que só depois as pessoas com deficiência tenham acesso a escola. Essa preparação é constante, e ocorre no dia a dia, quando uma instituição tem que se adaptar para receber um estudante", diz.[Fonte:Terra]

Pesquisa indica que 3,8 milhões de jovens estão fora da escola


Estudo feito pelo movimento Todos pela Educação aponta que 3,8 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estavam fora da escola em 2010. Na década (2000-2010), entretanto, houve um aumento de 9,2% na taxa de acesso à escola, segundo o estudo De Olho nas Metas 2011, divulgado hoje (7).
A Região Norte registrou o maior aumento na frequência ao sistema de ensino, com crescimento de 14,2%, o que possibilitou o atendimento de 87,8% das crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos. A Região Sudeste teve o menor avanço na década, expansão de 8%. Ainda assim, é a parte do país com maior índice de jovens matriculados, 92,7%. No Brasil, a taxa de inclusão escolar chega a 91,5%.
Mesmo com o acréscimo nas taxas de frequência, o relatório aponta que o país não conseguiu superar a meta intermediária (de 93,4% de acesso) estabelecida para o ano de 2010.
Com o maior número de jovens em idade escolar (17,3 milhões), a Região Sudeste registra o maior número de crianças e adolescentes fora da escola (1,27 milhão). Desses, 607,2 mil estão no estado de São Paulo, unidade da federação com maior número de jovens sem estudar. Percentualmente, no entanto, apenas 7% dos paulistanos entre 4 e 17 anos não frequentam a escola.
Na Região Norte são 579,6 mil jovens que não estão estudando. O Acre é o estado com a pior taxa de inclusão, 85%, o que representa 35 mil crianças e adolescentes fora do sistema de ensino.
As taxas de acesso à pré-escola permanecem em patamares muito mais baixos que os estabelecidos pelas metas. Crianças de 4 e 5 anos têm a menor taxa de atendimento (80,1%). Na Região Norte, apenas 69% das crianças que deveriam estar na pré-escola estão estudando.
O ensino médio também apresenta uma taxa de frequência menor do que a média. Na faixa de 15 a 17 anos, apenas 83,3% estão inseridos no sistema de ensino, o que representa 1,7 milhão de jovens fora da escola. O menor percentual de acesso é registrado novamente no Norte (81,3%).
O estudo De Olho nas Metas é um relatório anual cujo intuito é acompanhar indicadores educacionais ligados às cinco metas estabelecidas pelo Todos Pela Educação para serem cumpridas até 2022. A primeira meta é chegar ao índice de 98% ou mais das crianças e jovens de 4 a 17 anos matriculados e frequentando a escola no prazo de dez anos.{Fonte: Terra]

Professores da rede pública receberão tablets ainda em 2012

Professores da rede pública de ensino começarão a usar tablets durante as aulas a partir do segundo semestre deste ano. O Ministério da Educação (MEC) vai distribuir os equipamentos para cerca de 600 mil docentes do ensino médio, de acordo com a Agência Brasil.

Os dispositivos devem chegar a cerca de 62 mil escolas públicas urbanas. A ideia do MEC é que os professores aprendam a usar o equipamento antes dos alunos. Os docentes farão cursos de capacitação assim que a distribuição dos equipamentos for iniciada.

O tablet vai permitir que professores preparem aulas, acessem a internet e consultem conteúdo disponível no dispositivo, como livros, revistas, jornais e aulas preparadas pela ONG Khan Academy, que distribui conteúdo online usado no mundo inteiro.

De acordo com o ministro Aloízio Mercadante, as aulas preparadas no tablet serão apresentadas em uma lousa digital que já está presente em muitas escolas - o MEC afirma que 78 mil equipamentos foram distribuidos em 2011.

A inclusão de tablets é uma medida feita para tentar tornar as aulas mais atrativas para adolescentes e evitar a evasão escolar. "O ensino médio é o grande nó da educação. Os indicadores não são bons e a evasão escolar é alta. A escola não está atrativa para o jovem. Esses equipamentos fazem parte do esforço para melhorar o ensino médio", afirmou.

O MEC deve investir cerca de US$ 180 milhões para a compra dos 600 mil tablets. Em dezembro de 2011, o ministério abriu licitação para a aquisição de 900 mil dispositivos fabricados no Brasil com telas de 7 e 10 polegadas, câmera, microfone e bateria de seis horas de duração. Os tablets de 7 polegadas devem custar cerca de R$ 300 para o Governo Federal, enquanto os de 10 polegadas devem sair por R$ 470 a unidade.

O próximo passo é levar os tablets também para as escolas de ensino fundamental, mas o MEC ainda não tem uma previsão de quando fará isso.[Fonte: Olhar Digital]

Elogiado por Bill Gates, site estimula uso da internet na educação

Já imaginou ter conteúdos que você vê em sala de aula em um único site gratuito, com direito a vídeos explicativos, exercícios online e muitas outras ferramentas para ajudar no ensino? Pois esse site existe e se chama Khan Academy (www.khanacademy.org).
Criado em setembro de 2006 pelo educador americano Salman Khan, a iniciativa não tem fins lucrativos e já foi elogiada por Bill Gates, cujos filhos são visitantes assíduos do acervo com mais de 3 mil vídeos disponíveis. A maioria deles é focada em exatas (matemática, finanças, física e química), mas há tópicos da área de humanas, como história e arte, entre outras disciplinas.
Atualmente, os conteúdos são oferecidos apenas em inglês, mas a previsão é de que, em breve, seja possível acessar material em línguas como o português e o espanhol. Por e-mail, o Terra entrevistou Shantanu Sinha, presidente do Grupo Khan e um dos idealizadores do projeto, para saber mais sobre como funciona essa iniciativa. Confira os principais trechos a seguir.
Terra - Quais são as vantagens e desvantagens de aprender um conteúdo por meio de um vídeo, em vez de em sala de aula?
Shantanu Sinha - Os vídeos são apenas uma parte da Khan Academy e seu ideal de educação. A Khan Academy é composta por três elementos que estão disponíveis em nosso site. Um deles é a biblioteca de vídeos, na qual adicionamos material constantemente. Outro elemento chave são os exercícios - disponibilizamos uma plataforma de exercícios, com mais de 225 questões de matemática, no momento, e com atualização constante. Os alunos podem trabalhar através de um mapa de conhecimento e problemas da prática, com base em seus níveis de habilidade, enquanto o software auxilia os alunos com passo a passo, dicas e vídeos sugeridos. Este é o elemento fundamental pelo qual Khan Academy é utilizado em nossas salas de aula piloto. Por último, temos um painel que fornece dados em tempo real sobre o desempenho do estudante, bem como para seus professores, mentores ou pais (a quem nos referimos como treinadores). Este feedback instantâneo ajuda a orientar a aprendizagem de cada aluno no dia a dia
É importante ressaltar que nós não exibimos esses conteúdos como substitutos para o ensino praticado nas escolas. Na verdade, acreditamos que sites como o nosso auxiliam o professor, fazendo com que ele gaste seu tempo de forma mais eficaz, de tutoria aos alunos, dando a eles uma atenção mais personalizada.
Alunos nos dizem que apreciam o controle que têm com vídeo - a possibilidade de ver o que eles querem, quando querem, onde querem. Quando Sal começou a tutoria de seus primos, por meio de vídeos, eles disseram que gostaram desse tipo de ensino, justamente porque era em vídeo! O vídeo alivia a pressão de alguém julgar quão rapidamente o conceito é compreendido, e pode ser repetido quantas vezes um aluno precisa. Além disso, os estudantes podem facilmente saltar entre os temas específicos que precisam de ajuda - mesmo conceitos básicos que deveriam ter aprendido anos atrás.
Terra - Atualmente, a maioria dos conteúdos é de matemática, física e química. Vocês pretendem explorar mais disciplinas da área de humanas? As ciências exatas facilitam um ensino com menos interação ou vocês pensam que o seu modelo pode ser utilizado com qualquer disciplina? Shantanu Sinha - Além de matemática e ciência, nós também oferecemos conteúdos de finanças, história e arte e buscamos expandir essa quantidade de tópicos. Nosso objetivo em longo prazo é cobrir todos os tópicos, e acredito que toda a educação pode ser melhorada, aproveitando as ferramentas oferecidas pela inovação. O modelo de como a tecnologia será usada em cada matéria varia, então estamos pesquisando diferentes mecanismos que possam ser usados nas mais variadas disciplinas.
Terra - O ensino à distância tem crescido no Brasil nos últimos anos, mas ainda preservam-se os encontros presenciais. Como se dá a interação estudante-professor no site de vocês?
Shantanu Sinha - Nosso site incentiva o envolvimento de um treinador para ajudar a orientar um aluno, mas nós defendemos que o aprendizado mais efetivo ainda acontece pessoalmente, como citei anteriormente, esse tipo de estudo é uma complementação do estudo praticado em sala de aula.
Terra - Você acredita que há um perfil de estudante que melhor se encaixe neste método de ensino? Se existe, como ele seria? 
Shantanu Sinha - Nós estamos tentando focar em um aprendizado personalizado para cada estudante, de maneira que todos possam usufruir do material do site sem a necessidade de um determinado perfil, basta ele acessar que terá conteúdos que satisfaçam as suas necessidades, em uma formatação que ele considere agradável. Acreditamos que buscar as necessidades específicas de cada aluno é uma excelente maneira de melhorar o seu aprendizado.
No entanto, temos observado um maior impacto dessa adequação de conteúdo em três áreas. A primeira é o apoio em conceitos fundamentais: disponibilizamos grandes "pedaços" de informação, que permitem aos alunos preencherem as lacunas que têm no conhecimento fundamental, construindo o conhecimento passo a passo. Depois, apostamos nos alunos avançando de acordo com seu ritmo - com a nossa abordagem aberta para o conteúdo, os alunos podem aprender tanto quanto eles querem e tão rápido quanto eles podem dominar conceitos, podendo inclusive pular entre os tópicos. O terceiro conceito é uma complementação do conteúdo: as nossas seções com conteúdo resumido são muitas vezes utilizadas para auxiliar na preparação de um exame ou esclarecer um conceito ensinado em sala de aula.
Terra - O que é o mais importante para práticas de ensino a distância? 
Shantanu Sinha - Nós acreditamos que a Khan Academy é mais do que apenas ensinar à distância, mas sim, uma nova maneira de usar a tecnologia para aprender. Temos trabalhado muito ultimamente sobre o uso de nossos vídeos e ferramentas em um ambiente tipo blended-learning (integrando recursos online com suporte em pessoa).
Também pensamos que esses instrumentos podem ajudar a tornar a educação mais acessível para as pessoas que não têm dinheiro para gastar com educação. O nosso foco principal é produzirmos conteúdo de alta qualidade e disponibilizá-los gratuitamente para o maior número de pessoas possível, pois acreditamos que todos devem ter acesso gratuito a uma boa educação. [Fonte: Terra]

Brasil: mesmo sem ocupar topo, universidades se destacam em 2011


O ano de 2011 foi de destaque e superação para muitas universidades brasileiras. Integrar os rankings de melhores instituições de ensino do mundo é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido. Para a doutora em educação e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Helena Sporleder Côrtes, ultrapassar as universidades americanas, como Harvard e Stanford, e as britânicas Cambridge e Oxford, que se intercalam no topo das listas, é praticamente "impensável". No entanto, ela afirma que as instituições brasileiras "caminham aceleradamente para melhorar".


Em maio, o ranking do britânico Financial Times colocou uma escola de negócios brasileira entre as melhores do mundo, à frente de instituições renomadas, como o americano Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Fundação Dom Cabral figura em 5º lugar na lista. A chegada da Fundação Dom Cabral a uma posição tão alta no ranking faz parte de uma tendência geral na América Latina, segundo o jornal britânico.
Divulgado em julho, o ranking Webometrics Ranking Web of World Universities avalia a visibilidade na internet das instituições de ensino superior. Na última publicação, a USP foi a instituição brasileira mais bem colocada, conquistando a 43ª posição, e liderando também na América Latina.
Na China, o Ranking Acadêmico de Universidades Mundiais (ARWU, na sigla em inglês) faz uma classificação das instituições de ensino superior mais "recomendadas" para se estudar fora do país. Publicada anualmente pela Universidade de Jiao Tong desde 2003, a classificação usa seis indicadores para avaliar as instituições, entre eles o número de professores e alunos que ganharam prêmios Nobel e outros prêmios em ciências e economia, menções a seus pesquisadores e artigos publicados em jornais científicos.
Divulgado em agosto de 2011, a última edição traz a USP entre as 150 melhores do mundo. Na lista também aparecem a Unicamp, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Já o ranking inglês QS, publicado anualmente desde 2004, apresentou no mês de setembro a lista das 300 melhores universidades considerando o desempenho acadêmico nas áreas de artes e humanidades, ciências naturais, engenharia e tecnologia da informação, ciências sociais e ciências da vida. Dentre outros critérios, a lista é elaborada com base na opinião de acadêmicos de todo o mundo, de empregadores e no número de citações científicas das instituições. Neste ranking, a USP aparece na posição 169 e a Unicamp, em 235.
Divulgado no mês de outubro, o mais importante ranking das universidades, o Times Higher Education, seleciona as 400 melhores universidades do mundo. Duas brasileiras figuram na lista, a Universidade de São Paulo (USP), em 178º lugar, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre o número 276 e 300 (o ranking não disponibiliza a colocação exata). No ano passado, a lista tinha 200 universidades e nenhuma brasileira. Este ranking é elaborado pelo diário The Times, que utilizada dados da Thomson Reuters, a partir de 13 indicadores de desempenho projetados para considerar uma série de atividades da universidade, do ensino à pesquisa.
Para Helena Sporleder Côrtes, a nossas grandes universidades estão se empenhando para chegar perto das melhores do mundo. "O aporte de investimento em pesquisa cresceu muito, também temos valorizado a internacionalização, com trabalhos conjuntos com universidades estrangeiras. A tendência é avançar para um patamar de qualidade expressivo, mas ultrapassar as melhores é impensável", afirma. O problema está no "atraso histórico do ensino superior no Brasil".[Fonte: Terra]

Estudo mostra que geração digital não sabe pesquisar


Ferramentas de busca como o Google tornaram os alunos menos preocupados com a credibilidade de uma fonte de informação - Foto: Getty Images
Há pouco tempo, quando os alunos eram solicitados a fazer um trabalho de pesquisa, era necessário ir até uma biblioteca e realizar a busca em diversos livros didáticos e enciclopédias. Nos dias de hoje, a realidade é outra: debruçar-se sobre páginas impressas é raro quando existem milhões de links sobre o assunto desejado à disposição com apenas um clique.
Mas, o que deveria ser um avanço acabou resultando em retrocesso, segundo um estudo americano que aponta que a geração digital não sabe pesquisar. Na investigação realizada na Universidade de Charleston, nos Estados Unidos, ficou claro que os estudantes de hoje não sabem realizar uma pesquisa de forma efetiva. Conforme os resultados, o grande inimigo está na comodidade que o meio digital oferece. Ferramentas de busca como o Google tornaram os alunos menos preocupados com a credibilidade de uma fonte de informação, por exemplo.
No estudo, os pesquisadores pediram que um grupo de universitários respondesse a um questionário utilizando a internet como meio de pesquisa. Para testar os participantes, foram colocadas intencionalmente informações erradas nos primeiros resultados das buscas realizadas pelos estudantes. Como previsto, os alunos basearam-se nos primeiros links e erraram todas as questões.
O trabalho revelou uma realidade lamentável: os estudantes da era digital se contentam com informações rápidas, sem se importar com procedência e fidelidade. Para José Moran, professor aposentado de Novas Tecnologias da Universidade de São Paulo (USP) e diretor de Educação a Distância na Universidade de Anhanguera (Uniderp), o fato é consequência de uma geração que cresceu com computadores e está acostumada com informações em 140 caracteres. Contudo, Moran acredita que o fato não se restringe somente a crianças e adolescentes.
"A internet deixou as pessoas em geral mais acomodadas. Adultos também cometem erros ao realizarem pesquisas online", diz. Por isso, o professor acredita que um dos papéis da escola, atualmente, deve ser o de ensinar metodologias de pesquisa desde cedo. "Os educadores pedem tema de estudo, mas não ensinam metodologias", afirma.
Outra pesquisa americana também comprova que jovens da geração digital não se preocupam com a procedência de suas fontes de estudo. Realizada pela Universidade Northwestern (EUA), a pesquisa pedia que 102 adolescentes do Ensino Médio buscassem o significado de diversos termos na internet. Todos tiveram sucesso nas respostas, mas nenhum soube informar quais foram os sites utilizados. "Os jovens confiam demais na internet", destaca o diretor de Educação a Distância da Uniderp.
Ensino de pesquisa na internet
Na Escola de Educação Básica Rocha Pombo, em São Joaquim (SC), o projeto "Ensinando a fazer pesquisas na internet" foi implantado nas turmas de 4º série. Elaborado pelo professor de informática Francisco Mondadori Junior, o projeto tem como objetivo trabalhar o conceito de pesquisa desde cedo, pois assim os estudantes chegam ao Ensino Médio sabendo utilizar as barras de pesquisa a seu favor.

O trabalho consiste em um questionário em que os alunos devem apontar suas áreas de interesse e pesquisar sobre esses assuntos. "Sugerimos a pesquisa na internet, no Google, digitando as palavras-chave das atividades que mais gostam. Cada aluno faz a sua pesquisa, procurando o site mais interessante", explica, dizendo que os pequenos são auxiliados por professores que também ensinam a importância de utilizar fontes de informação confiáveis.
Professor do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) das escolas estaduais de São Joaquim (SC), Mondadori Junior conta que o ensino da pesquisa científica e escolar é uma das preocupações do núcleo, que procuram criar atividades lúdicas e divertidas para trabalhar o conceito em sala. "Em minha opinião deveria existir uma disciplina só para isso nas escolas", opina, dizendo que percebe, cada vez mais, a dificuldade dos alunos em realizar trabalhos de pesquisa. "Eles se contentam com os primeiros links", diz, destacando que é comum ouvir frases como "achei no Google".
Mondadori Junior defende a postura adotada por algumas escolas e educadores de não permitir o uso da internet como fonte de pesquisa. "É interessante proibir só no início, pois assim o estudante descobre que existem outras possibilidades de estudo, e não somente o meio virtual", explica. José Moran discorda: "Isso resulta em um estudante que usa livros na escola, e a internet em casa", sentencia, ressaltando que as dificuldades continuariam existindo. "Um dia esse aluno vai poder usar a internet para pesquisar, e então vai fazer de forma errada, pois não aprendeu na escola", completa.
Em mais de 20 anos de docência, Moran afirma que nunca deixou de trabalhar metodologias de pesquisa com seus alunos, seja no ensino fundamental ou no superior. "Sempre que eu passo trabalhos, especifico o tipo de pesquisa que eu quero, e ainda vejo com os estudantes algumas possibilidades mostradas pelo Google", diz, afirmando que ainda compara links e aponta informações que podem estar equivocadas. "Com isso, o jovem passa a desconfiar da internet, pois cria a consciência de que nem tudo que está no meio online é verdadeiro", conclui.
Na Escola Nossa Senhora das Graças, em São Paulo, a preocupação com o ensino de pesquisa na internet começou em 2009. Os educadores do colégio viram a necessidade de criar uma estrutura online que pudesse auxiliar os estudantes nos trabalhos escolares. Por isso, foi criado o "Caminhos de pesquisa na internet", uma ferramenta virtual que discute alguns critérios de pesquisa e avaliação das informações. Além dos professores deixarem dicas de endereços confiáveis, os alunos podem postar informações retiradas de sites para que os docentes possam avaliar sua veracidade.
Apesar de achar a solução interessante, Moran alerta que nem sempre os alunos terão uma ferramenta escolar a sua disposição. "A escola precisa ensinar os estudantes a caminharem sozinhos e terem noções críticas de fontes de pesquisa", opina.[Fonte: Terra]

EUA: MIT oferece certificados para estudantes virtuais


O Instituto de Tecnologia de Massachusetts está desenvolvendo uma tecnologia que permitirá aos estudantes fazer cursos online - com a utilização de laboratórios simulados e interação com professores e outros alunos -, e ganhar certificados.
"O objetivo é alcançar todos que não possam estar aqui", informou o reitor do MIT, Rafael Reif, em teleconferência com jornalistas nesta segunda-feira. O instituto já é conhecido por seu programa OpenCourseWare, que oferece cerca de 2,1 mil cursos online gratuitamente. Até agora, os estudantes que recorriam à plataforma online tinham acesso aos materiais fornecidos para as aulas mas tinham de estudá-lo por sua conta e nunca eram avaliados. Em poucos meses, eles serão capazes de ver os professores em vídeos, participar de grupos de discussão de estudantes, e fazer exames.
"Isto vai tornar o MIT acessível em escala planetária", disse Anant Agarwal, diretor de Ciência da Computação e do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT. "Esta é uma excelente forma de casar as nossas missões na educação e na investigação", concluiu.
Estudantes que queiram ganhar os certificados através do programa online do MIT terão que pagar uma taxa ainda não definida. O reitor da universidade ressaltou que o programa não irá substituir a experiência no campus e que os cursos online serão tão rigorosos quanto os realizados fora do mundo virtual.
Desde que o programa OpenCourseWare foi lançado, há quase uma década, mais de 100 milhões de pessoas já estudaram assuntos que vão de antropologia à estudos de gênero. Outras escolas dos EUA, incluindo Stanford e Yale, oferecem programas de aprendizagem online semelhantes.[Fonte: Terra]

CNE determina o funcionamento de creches durante as férias

O Conselho Nacional de Educação (CNE) alterou o parecer que determinava que as creches deveriam fechar no período de férias. Segundo o CNE, o poder público é obrigado a oferecer o atendimento nessas unidades na ausência de instituições de assistência social, saúde, esporte e lazer. As prefeituras ainda devem oferecer as creches, caso essas instituições não deem conta da demanda. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
"Essa possibilidade já existia no antigo parecer, mas não estava explícita como deveria", disse o relator do documento, Cesar Callegari. "É um aperfeiçoamento proposto pelos promotores. Além disso, o atendimento em creches nesse período deve ser assistencial e não educativo", afirmou. O parecer original foi aprovado em julho, mas não havia sido homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. A nova versão segue para homologação do MEC.[Fonte: Terra]

Mudança no texto do PNE pode gerar perda de verbas da educação

Uma diferença aparentemente sutil no futuro texto do Plano Nacional de Educação (PNE), apresentado na terça-feira na Câmara dos Deputados, poderá fazer a diferença de alguns bilhões de reais em investimentos na área. A proposta de substitutivo elaborada pelo relator, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), coloca como meta o investimento de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) considerando o investimento público total em educação.
A proposta encaminhada pelo governo, no ano passado, falava em investimento direto em educação. A diferença entre os dois é que, no primeiro caso, são incluídos recursos públicos investidos em entidades privadas, em bolsas de estudo e até em contribuições sociais de aposentadoria de trabalhadores da área. Já no segundo, são contabilizadas apenas as verbas aplicadas diretamente no sistema público de educação.
Na prática, a mudança do conceito de investimento significa uma ampliação mais tímida dos recursos. Considerando o investimento público total, o patamar atual de investimento em educação é de 5,7% do PIB. A meta de investimento de 8% do PIB definida no relatório significaria, portanto, um crescimento de 2,3 pontos percentuais ¿ enquanto a expectativa das entidades era que esse aumento fosse mais significativo.
Para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, principal entidade que articula a mobilização social em torno da aprovação do projeto, a mudança do texto foi uma "manobra contábil" para camuflar os investimentos reais. A entidade defende, junto com outras organizações da sociedade civil, que o patamar de investimento incluído no PNE seja de 10% do PIB.
O relator da proposta admite que a alteração do texto foi "fruto do processo de negociação" com o governo, mas nega que tenha sido uma manobra. Nas últimas semanas, Vanhoni adiou diversas vezes a apresentação do relatório do PNE porque não chegava a um consenso com o governo sobre a meta de investimento. A proposta inicial enviada pelo Executivo previa a ampliação dos investimentos para 7% do PIB, índice que foi aumentado para 8%. Essa expansão dos recursos deverá ser feita no prazo de dez anos, período que irá vigorar o novo plano. O projeto estabelece 20 metas educacionais que deverão ser alcançadas pelo país neste prazo. Entre elas, o aumento de vagas em creches, a ampliação de escolas em tempo integral e a expansão das matrículas em cursos técnicos.
O relatório apresentado ontem traz o custo financeiro de cada uma das 20 propostas. Segundo Vanhoni, a meta de investimento de 8% do PIB em educação é o suficiente para pagar as mudanças previstas no projeto, ainda que seja considerado o investimento total em educação e não o direto. "A discussão tem que ser feita em torno do plano de metas e não apenas de índices. O debate que a Câmara precisa fazer é quais as metas para as diversas modalidades para incluir desde as crianças até 3 anos a jovens de 18 a 24 anos no sistema educacional brasileiro e de qual valor nós vamos dispor para custear isso", argumentou.
A vigência do antigo PNE terminou em dezembro de 2010 e, no momento, não há plano em execução. O impasse em torno do percentual de investimento pode deixar a aprovação para 2012. O texto ainda precisa ser apreciado pelo Senado.[Fonte: Terra]